Acordou num sobressalto, não entendia muito bem o que estava acontecendo, parecia em outra dimensão…
Trinta segundos depois de abrir os olhos, Velasco percebeu que não estava no meio da praia com aquela morena que abraçava e beijava desesperadoramente.
Estava solitário deitado em sua própria cama, melecas nos olhos, despenteado e com uma insistente ereção.
Não acreditava que tivera sonhado, não parecia um sonho, mas era…lembrava-se até dos detalhes…
Conheceram-se num quiosque da praia de Santos, conversaram, beberam, sorriram e ela o convidou para fumar um baseado:
- Não fumo – disse ele.
- Faz companhia pelo menos? – insistiu a mulher.
Foram. Velasco não fumou da erva, ao menos não diretamente do cigarro, mas talvez tenha aspirado tudo por intermédio dos escandalosos beijos à beira-mar.
Já estava sem camisa, no sonho, é claro, com as bermuda aberta…a mulher já sem sutiã e…pronto! Acordara!!!
Levantou e foi trabalhar desconsolado…o que acontecera parecia muito real e não queria que tivesse acabado…passou o dia sonhando (?) acordado com a mulher do sonho (!)…queria ao menos saber o nome dela…
Chegou em casa, tomou seu banho e foi cedo pra cama…ficara tão obsessivo pela mulher do sonho que tentou dormir cedo para encontrá-la.
Despertou aturdido, mais uma vez sonhara com a mulher…agora tinha nome, Samara!!!
Desta vez foi mais incisivo, já se olharam, e correram para o mar…como se se lembrassem do sonho anterior…tanto é que o diálogo foi o seguinte:
- Continuamos de onde paramos? – indagou Velasco.
- Sem problemas. – ela respondeu.
Já tiraram parcialmente a roupa, se beijavam, se atracaram e caíram na areia…e de repente:
- Pega a camisinha! – Samara pediu.
- Camisinha? – Estranhou Velasco – Mas estamos num sonho!!!
- Ah, não, não interessa! Não me venha com desculpas! – insistiu Samara!
E quando Velasco vinha voltando com o preservativo na mão após conseguir comprar numa loja de conveniência de um posto, justamente em frente ao quiosque onde se encontraram (só em sonho e em novela da Globo mesmo!), ele acordou!
Passou mais um dia daqueles, reclamava de tudo, tudo, absolutamente tudo parecia sem sentido…queria voltar cedo pra casa para dormir e encontrar Samara em seus sonhos.
Pelo terceiro dia seguido encontrei Samara no quiosquer, se olharam, correram para perto da água, tiraram a roupa…peraí…o que era aquilo? Ah, desta vez Samara levara até uma toalha de praia para deitarem.
Deitaram, ele de preservativo dessa vez, e começaram a se abraçar, se beijar, se roçar e finalmente a transar!
Foi uma transa maravilhosa, Velasco se deliciava e foi um amante estupendo (só em sonho mesmo)…até que…
O som da buzina dos carros o fizeram acordar…atrasado para o trabalho pois não queria que o despertador atrapalhasse seu momento de luxúria…e tal qual um adolescente com polução noturna.
Foi trabalhar feliz, feliz porque finalmente encontrara a mulher da vida, a mulher dos sonhos…literalmente.
Não via a hora de voltar para reencontrá-la, para sentir mais uma vez o corpo de Samara, pra lhe dizer que era a mulher da vida dele.
Voltou e preparou o ritual. Colocou uma camisinha no bolso, segurou uma toalha de praia e até um vinhozinho para deixar mais romântico.
Pronto. Estava lá, encontrara com ela no mesmo quiosque de sempre…chegou perto dela e…
- E aí, Samara, vamos para o nosso cantinho?!
- Ah, cara, não ‘tô a fim não…
- NÃO?! – exclamou Velasco – Mas o que aconteceu?
- Ah, foi um lance meio casual, sabe? Acho que já era, já passou…mas você entende, né?
- Mas, mas, mas você ‘tá no meu sonho…foi tão bom…a gente, a gente tem que ficar junto…
- Velasco, nossa relação não ia dar certo mesmo…afinal, sou só um sonho, é impossível!
- Sim, você é a mulher dos meus sonhos e se eu existo e você existe, nada é impossível!
- Mas sou um sonho…sou apenas um sonho…e não só…não ‘tô mais a fim de você!
- Nãooooo…!!! – gritou Velasco e acordou em seguida.
Aborrecido, sorumbático, seguiu para o trabalho…e até hoje quando alguém diz que encontrou a mulher de seus sonhos, Velasco dispara:
- Muitas vezes a mulher dos seus sonhos pode se tornar seu maior pesadelo! – diz com as olheiras de quem não tem tido boas noites de sono.
