Coincidências e Afinidades

Outra crônica que escrevi há muito tempo…

As energias se completam

As energias se completam

Coincidências e afinidades

Às vezes parece que certas pessoas foram feitas para se encontrar, são tantas coincidências que parece até mentira…conheci a história deste casal e não acreditei…não sei se estão juntos até hoje, mas se não estiverem, o destino dará um jeito de reaproximá-los…

Ele até que era um rapaz bem apessoado, inteligente, divertido, e estava à procura de alguém, porque tinha acabado de sofrer uma decepção amorosa.

Ela que parecia um livro de Gramática de tantos adjetivos bons que possuía – linda, meiga, simpática, bem-humorada, cativante, inteligente… – ao invés disso, namorava sério, e nem imaginava que o destino iria lhe aprontar uma dessas…

Conheceram-se por acaso, aliás como quase todos os namorados, numa festa de aniversário.

Ela nem conhecia o aniversariante, Ele era um dos melhores amigos dele.

Pra ser mais exato, Ela nem morava na cidade, morava à vários quilômetros dali, só viera para a cidade Dele para participar de um Simpósio de Biologia, e ficara na casa da prima, que morava lá.

A prima, aliás, residia no mesmo prédio que a ex-namorada Dele, aquela que o deixara. Como se conheciam de vista, começaram a conversar.

Curiosamente, a prima Dela fazia Direito e Ele era advogado, e como durante a viagem Ela tivera sua bagagem extraviada perguntou o que poderia fazer para receber alguma indenização.

Papo vem, papo vai, Ele descobriu que Ela morava em Paranaguá e estudava em Ponta Grossa, e Ele morava na Rua Paraná, em São Vicente. Conversaram bastante, e conversaram o bastante pra perceberem que tinham inúmeras afinidades e coincidências entre si…gostavam do mesmo sorvete, ambos eram vegetarianos, seus pais tinham os mesmos nomes, eram canhotos, só tomavam água com gás e tônica, nasceram prematuramente e no mesmo dia, e pior, ambos votaram no FHC.

Ele estava achando isto incrível, Ela não conseguia acreditar…pareciam feitos um para o outro… Ela apesar de tudo parecia meio triste, e Ele, porque a ex o deixara, parecia viver triste. Ela contou que estava decepcionada com o namoro, Ele que não acreditava mais no amor…resolveram então deixar este assunto de lado… Enquanto conversavam, Ele pensava – “se ela não tivesse namorado…” – e Ela pensava – “se eu não tivesse namorado…”.

Pela primeira vez depois de meses estavam novamente felizes, sorriam como há muito não sorriam, tanto que Ele nem lembrava que a namorada o deixara, e Ela nem se lembrava que tinha namorado…então fizeram planos, trocaram telefones, e-mails, endereços, trocaram bem mais do que isso e do que simples olhares e pensamentos, trocaram ardentes e apaixonados beijos, beijos e mais beijos… Frases de espanto e surpresa intermediavam os beijos, como – “eu também acredito em horóscopo…” – ou – “não acredito que também gosta de ópera…” ou ainda – “não, eu também tenho todos os discos da Xuxa…”

A noite acabou, mas o desejo de se encontrarem novamente não, prometeram se falar, prometeram não deixar de escrever, prometeram que as promessas não seriam em vão…estavam apaixonados e não sabiam…

Ficaram meses se falando por telefone ou trocando cartas e e-mails, Ele chegou à ir para a cidade dela, e Ela veio para dele…passavam férias juntos, viajaram juntos, saltaram de pára-quedas juntos, pegaram conjuntivite juntos…e cada vez mais apareciam afinidades, Ele gostava de Roberto Carlos e a mãe dela tinha todos os cd’s, ambos eram loucos por torta de limão, os dois tinham um cachorrinho Daschund (o do comercial da COFAP – não, não estou fazendo propaganda…), ambos achavam o Luxemburgo um técnico brilhante(?!)…

Contudo, há momentos da vida que o destino parece conspirar contra a felicidade, e infelizmente Ela deu uma notícia horrível…

– Austrália! – respondeu perplexo.

– Eu vou aceitar um emprego lá, é muito importante pra mim – disse Ela.

A felicidade dela também era importante pra Ele, não era mesquinho, não era egoísta, apesar de ser advogado…aceitou, teve que aceitar…

Choraram.

Ela de tristeza, Ele de desilusão. Ele pediu para não se falarem mais, e Ela perguntou o porquê. – Porque eu te amo – respondeu.

Choraram.

Ela de desespero e dúvida, Ele de amargura e solidão. Depois disso, nunca mais se falaram, Ele não quis se relacionar com ninguém, Ela não conseguia esquecê-lo. Resolveu voltar para o Brasil, não queria mais ficar longe dele, o trabalho que fosse não a confortava como seus braços…

Ele também tomara uma decisão, iria para a Austrália, pegou o endereço dela com a prima e rumou para o aeroporto, não suportava mais a solidão da alma…afinal parecia que Ela era sua metade…como se fossem uma laranja partida ao meio…

Quando Ele chegou ao aeroporto, Ela acabara de pisar em solo brasileiro. Enquanto Ele se dirigia ao portão de embarque, Ela se dirigia ao portão de saída. Tinha tudo para se desencontrarem, tudo mesmo, não se veriam…mas quando o destino quer, tudo acontece…

De repente começou a tocar no radinho a música que Ele mais gostava do Roberto Carlos, Ela viu alguém comendo uma torta de limão, Ele encontrou um livro de Darwin, Ela sem querer deu um chute num Daschund, Ele comprou uma tônica, Ela perdera a bagagem novamente…tudo, absolutamente tudo conspirava a favor deles…mas eles não percebiam os sinais…até que bem na pista de pouso do avião que Ele tomaria, o Wanderley Luxemburgo acabara de cair de pára-quedas…e foi um fuzuê para ver o que estava acontecendo…

Mas Ele não gostava de aglomerações, e Ela estava mais preocupada com a bagagem…até que Ele tropeçou numas malas jogadas no aeroporto, eram as malas dela, estavam com o nome dela…encontrara sua parte da laranja…

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