A Verdadeira Utopia

A Verdadeira Utopia

Ontem fui à praia. Não costumo ir muito à praia, muita gente, dificuldade para estacionar o carro, pastéis que se aproximam de estricnina de tão nocivos à saúde, mar bastante poluído…mas como minha namorada insistiu, eu fui.

Parar o carro até que não foi um problema tão grande, depois de quarenta minutos procurando, encontrei uma vaga, mas claro, não poderia ser diferente, havia um flanelinha me esperando…

Após manobrar o veículo, descemos, eu a minha namorada. Tentei não olhar para o flanelinha, mas vocês sabem, é impossível.

Ele está lá, quase na sua frente, olha nos seus olhos, te chama de “chefe” (o que é óbvio, porque, afinal é você que vai pagar a féria dele), e diz a famosa frase:

– Pode tomar conta aí, chefe? – que poderia ser também algo como – “mermão, ´tô te aivsando que é pra me dar um troco quando voltar porque senão vou arranhar essa porra toda que você chama de carro!”

Aceno com a cabeça positivamente. Até porque se eu fosse falar algo, não agüentaria, ia xingar o folgado!

No caminho para a areia, começo a pensar, não deveria ser assim, não deveríamos ser reféns da falta de segurança, aí me recordo, não é quetão de Governo, não é questão política, não é nada disso.

Não tem jeito, ser folgado é a cultura do nosso país.

Cheguei, sentei numa cadeira na praia voltada para o mar, comprei uma cerveja e comecei a imaginar…

Um belo país, uma nação rica e próspera. Todos bebês nascem em berço de ouro e em bons hospitais, hospitais públicos. Não há necessidade de hospitais particulares, plano de saúde, cheque caução…

Os recém-nascidos têm baixíssima taxa de mortalidade e os que nascem com a saúde debilitada são rapidamente socorridos e quando possível, curados.

As crianças têm onde estudar e estudam. Seus pais não precisam pagar fortunas pela educação, o governo, também neste caso, oferece ótimas escolas, com professores interessados, bem pagos, com segurança, merenda e vagas para todos.

Violência não existe, quer dizer, até existe, mas nada que não possa ser contida. Também, pra que brigar, roubar, matar se está tudo bem? Antes de tudo a polícia, que não é corruptível, age com presteza.

Além disso, há justiça. Ela não falha e também não tarda.

Implantada a pena de morte apenas para dirigentes de futebol, o sujeito escolhia: laxante ou picotado por um alicate de unha – bem terríveis.!

Pobreza? O que é isto? Há oportunidade para todos, todos trabalham. Claro, uns têm mais, outros menos…os que nada tem só podem culpar a si mesmos.

É claro que há inveja, cobiça, más intenções…em todo lugar há – não poderia deixar de ser diferente no país – o ser humano não é perfeito. Mas para cada erro há uma punição, efetiva.

Quanto ao futebol, não há brigas de torcidas, falcatruas, jogos comprados…os árbitros erram de verdade e não propositalmente. Os dirigentes ladrões já forem exterminados – se fosse hoje, talvez a Copa da França e o Brasileirão de 2005 fossem diferentes. É tudo uma grande festa. Dinheiro? Os jogadores jogam com prazer de jogar, sem querer discutir sobre bichos, prêmios…isso é supérfluo.

Trânsito?! Que nada, os carros trafegam livremente, sem problemas, não há congestionamento. Todos respeitam os rodízios de carros pra evitar a poluição. Ah, também não se ouve os famosos – “filho disto”; “filho daquilo”…as pessoas têm educação.

Não bastasse tudo isso, o povo é receptivo, simpático, alegre, gosta de música, dança, pintura…é um povo cheio de graça e bom humor.

Um povo que sempre acredita que amanhã será melhor que hoje e que ontem já foi.

É uma mistura de nascer do sol com beijo de boa noite…é incrível!

Um país de gente feliz que desperta todo dia para a vida, que luta pela vida e ama sua vida. Um povo mágico, festeiro, brasileiro…vivendo num país maravilhoso…um país justo e perfeito!

Ah, e o melhor, sem flanelinhas para pedir pra tomar conta dos carros…

Thomas Morus não entende nada de Utopia.

Thomas Morus

Thomas Morus

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6 respostas em “A Verdadeira Utopia

  1. Se Thomas Morus tivesse de estacionar seu carro ou comparecesse a qualquer estádio brasileiro, certamente incluiria em sua obra o fim dos flanelinhas. Ô raça insistente, vagabunda e desencessária ! Uma verdadeira praga urbana que nossas autoridades insistem em permitir !

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