Escravos modernos

Menina boliviana, filha da escravidão

Menina boliviana, filha da escravidão

Apesar de se bradar que o Brasil é um país livre e se comemorar inclusive o dia da abolição da escravatura, pode-se constatar que isto não é totalmente verdadeiro.

Além dos bóias-frias, dos trabalhadores do sertão nordestino, de seringueiros, dos mineiros nas serras em busca de ouro e de tantos outros, há especialmente na cidade de São Paulo um número crescente de bolivianos que trabalham em condições de escravidão também.

Veja, não se assevera que se trata de escravidão, mas que as condições são extramamente próximas, por que não dizer, tênues.

Aliás, é interessante transcever trechos de matérias sobre o caso:

“Os bolivianos costumam trabalhar das 6h às 23h ou das 7h às 24h e ganham entre R$ 200,00 e R$ 400,00 – valor difícil de ser alcançado – por mês. Moram num cubículo, no próprio local de trabalho. São quartinhos de 2,00m x 1,50m que abrigam o trabalhador, sua família, a máquina de costura e mais um espaço para colocar a roupa que é produzida (em alguns, o quarto e a oficina ficam em ambientes diferentes). Os colchões são enrolados durante o dia e à noite, quando vão dormir, se transformam em cama. As roupas prontas são normalmente entregues a coreanos que têm lojas de roupas baratas…”(http://migre.me/aIk9).

Pode-se constatar isso em outras fontes: http://migre.me/aIld e http://migre.me/aIlm

A culpa por tudo isso não pode ser dividida somente entre Governo e seus órgãos (Ministério do Trabalho, Poder Judiciário, Ministéri Público, etc…), até porque não são os únicos culpados.

Não!

O consumidor que vai atrás de roupa barata, de segunda linha ou quebusca  falsificações também tem sua parcela de culpa.

Não é aceitável que para economizarmos míseros reais continuemos a fomentar essa linha escrava de produção, tratando nossos irmãos bolivianos como fizemos com nossos ascendentes que vieram do Continente Africano para servir de escravos.

Veja, não é uma campanha para que os bolivianos não trabalhem nas confecções, pelo contrário, gostaria que eles fossem tratados com dignidade e não fossem explorados porque são uma nação pobre.

Muitos brasileiros sofrem quando trabalham ilegalmente no exterior (Europa e  EUA) e são maltratados inclusive quando trabalham legalmente, mas em subempregos (Europa, EUA, Japão).

Sabe-se que trabalhar muitas horas para ganhar pouco é duro, é triste e desgastante, agora, trabalhar em condições de escravidão e ainda viver tal qual um escravo ultrapassa esses limites, beirando à humilhação e desrespeito à dignidada da pessoa humana.

Já viajei à Bolívia, tenho amigos lá, fiquei realmente tocado pelo carinho que eles possuem por nosso país, sei que quem já viajou para lá também deve nutrir os mesmo sentimentos, afinal, são um povo extremamente amável.

Independente do que sinto pelos irmãos bolivianos, é de se refletir se queremos nos remeter à época das conquistas marítimas onde negros e índios foram massacrados, vilipendiados e humilhados – uma vergonhosa herança que carregaremos por toda a história do país -, em troca de uma calça mais barata em alguma loja do Brás.

Sei que a Lei Áurea foi assinada pela Princesa Isabel, mas às vezes me parece que ela foi escrita à lápis e que o tempo já a apagou…

É a triste realidade brasileira.

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