Louco Amor

a vida de um pobre taxista
É a história de um amigo de um amigo meu, quem me contou foi este amigo próximo e me pediu segredo porque a história parece um tanto quanto impossível de acreditar.
Marcelo era taxista na cidade do Rio de Janeiro, marrento, mas bem humorado, simpático e boa pinta. Gostava de trabalhar à noite com seu táxi para paquerar as menininhas que voltavam de Ipanema e Lapa para suas casas e levá-las para sua cama, a dele.
Por anos levou esta vida boêmia. Fazia uma viagem, parava, tomava uma cerveja, pegava uma gringa aqui, uma carioca ali, outra turista acolá, fazia outra viagem, fazia outra viagem, bebia, pegava, e assim a madrugada seguia.
Mas como o tempo é inexorável e o coração suscetível a paixões, um dia Marcelo deu carona a uma mulher fechada, traços fortes, com uma bandana na cabeça. Não parecia bêbada nem ter bebido. Estava arrumada, mas simples.
– Para a Barra, por favor.
O sotaque não era carioca. Parecia nordestino. Talvez fosse uma turista que estava em de passagem por Botafogo e ia para seu hotel.
Marcelo tentou conversar e utilizar-se de seu papo indefectível, mas a passageiro furtava-se de responder ou limitava-se a ser monossilábica.
Ele tentou a outra tática, começou a mudar as estações do rádio lentamente…de repente a mulher puxava papo…
Nada.
Começou a falar da novela – “ah, da novela ela vai falar…” – pensou, mas também não logrou êxito.
“Essa porra é lésbica” – pensou e continuou – “só há uma forma de saber…”
Resolveu apelar. Parou o carro numa rua qualquer de São Conrado e disse:
– ´Tô apaixonado por você, amor à primeira vista!
– Ôxe, e eu sou mulher de dar de primeira vez?! Tá me estranhando?!
Calou-se. As afiadas palavras da passageira acabaram ímpeto, como se cortassem sua língua.
Levou-a quieto ao destino, um residencial de um apartamento por andar de frente à praia na Barra da Tijuca.
Perguntou:
– A senhora mora aí, é?
– Não, moro não.
– Não?! Ué, está tendo alguma festa para a senhora vir a esta hora? – eram 05hs da manhã.
– Não, esta é a casa de minha patroa…eu sou trabalho em casa de família, não percebeu, não, cabra? Ôxe!
– Ahhh, entendi. Bom, são R$ 35,00.
– E você, rapaz, não vai subir não?
– Ãh?!!!
As cenas a partir de então não são passíveis de narrativa. O amor nasceu entre ambos a partir daquele momento e daquele momento em diante, Marcelo jamais quis saber de outra mulher, senão Ildemilda, sua Maranhense, que amavelmente ele apelidara de Mara.
Marcelo inclusive parou de beber, evitou trabalhar à noite para ficar com sua companheira, pensava em ter filhos, sua vida agora tinha um sentido, o corpo quente e úmido de sua maranhense.
– Sabe, cara, a bichinha é ruim demais, mas eu gosto daquela maranhense, não preciso de outra mulher não – preconizava a todos seus amigos que lhe diziam que deveria voltar à vida boêmia.
Mas como a vida é injusta e injustos são os homens, Marcelo bebeu do doce veneno do acaso e o acaso causou-lhe estragos.
Para conseguir um dinheiro extra para que pudessem ter filhos, Marcelo voltou a trabalhar à noite, mas também sem trair sua “Mara”, não pretendia fazer nada para magoá-la.
Pegou um grupo de amigos, seis para dentro de seu táxi, foi legal porque precisava da grana, arriscou tomar multa para levar um troco a mais para casa – “será a última corrida e de lá vou para casa ver minha maranhense”.
Simpático, passou a conversar com os passageiros. Quatro bonitas mulheres e dois marmanjos, mas Marcelo nem olhava. Conversava na boa.
Dado momento seu celular toca.
– Peraí rapaziada, é a patroa.
Ao atender o telefone, um dos passageiros que estava ao lado começou a imitar voz de mulher.
Só se escuta Marcelo falando:
– Não, não tô com ninguém não. É um passageiro que ficou brincando. Não, tô trabalhando, pô! Cala essa boca que você ´tá falando besteira, cara!
Irritou-se:
– Você ´tá viajando, ´tá ficando louca, cara – apesar de falar com sua mulher seu jeito carioca impelia a chamá-la de “cara”!
– Não é nada disso, não é nada disso. É só um passageiro brincando.
Desligou. Ela, não ele.
Tentou ligar, tentou ligar, tentou ligar e ela não atendia.
Marcelo chorou. Na frente dos demais passageiros chorou.
Rafael, o que brincara, tentou consolá-lo, tentou ajudá-lo, pois estava arrependido.
Em vão.
Marcelo seguia com seu táxi em direção à Ipanema em alta velocidade como todos os carros do Rio de Janeiro.
Os passageiros ficaram atônitos e apavorados.
Viram a morte de perto e pior, conheceriam o céu, sem ter conhecido o Cristo antes…
– Fudeu, fudeu, fudeu – repetia Marcelo.
O pânico tomou conta dos passageiros que imaginaram – “o cara vai matar geral, vai jogar o carro num barranco”!
Marcelo continuou até Ipanema, entrou na rua do albergue deles, parou, cobrou deles R$ 25,00, despediu-se e foi embora.
Sem compreender nada, os passageiros desceram e foram dormir, ainda assustados.
Nunca mais tiveram notícias do taxista Marcelo. Mas se divertiram muito no Rio e fortaleceram a amizade entre eles depois deste episódio e anos depois nem lembravam do nome do taxista…
E Marcelo nunca mais teve notícias de sua maranhense. Voltou à boemia, voltou a beber, voltou para a vida bandida, bateu seu carro e ficou paraplégico.
A vida é assim, feliz para uns, triste para outros.
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6 respostas em “Louco Amor

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