O amor entre iguais

O amor entre iguais

Atendendo a uma dica de uns amigos, tentarei postar algo diariamente, ainda que seja alguma bobeira, apenas para dar mais movimentação no blog…espero que curtam…

Quem me conhece mesmo sabe que tenho umas rusgas com minha irmã…não nos falamos há mais de dois anos…não vou tentar direcionar ninguém contra ela, muito menos irei expor os motivos de nossos desentendimentos…aproveito nossa quizila para mostrar que entre irmãos tudo é possível, desde o distanciamento decorrente de discussões quanto o mais profundo amor fraternal.

há irmãos que se tratam como cães em briga!

Gêmeos. Nasceram de frente para o outro. Idênticos. Um nasceu dez segundos na frente do outro, o outro nasceu dez segundos depois do outro, mas nenhum dos dois sabe. A mãe não quer competição entre eles.


A mãe, sempre zelosa, cuidou da alimentação das crianças. Arrumou com carinho suas roupinhas e nunca deixou de amamentá-las, mesmo elas sendo um tanto selvagens na arte de mamar.


Jadson, o mais velho, era também o mais forte, mais valente e ainda o mais feio.


Jacson, o mais novo, era também o mais belo, mais bobo e ainda o mais chorão.


Apesar das diferenças, davam-se bem. Estavam sempre juntos, até porque dificilmente crianças de 4 anos têm outra coisa para fazer senão brincar com outras crianças. No caso, como eram gêmeos, tinham um ao outro pra brincar.


Jadson sempre fôra uma criança problema, brigona, encrenqueira, a primeira vez que sua mãe não o deixou fazer o que queria, cuspiu toda comida em cima de Jacson, que desatou a chorar.


Jacson, o chorão, vivia caindo de cabeça no chão depois de tombos inesquecíveis que levava do bercinho, por isso, chorava a noite toda, acordando Jadson.

Mesmo assim se gostavam, se é que crianças de 4 anos sabem o que é gostar. A mãe que na verdade impunha amizade entre os dois.


A cumplicidade ficou tamanha que se Jadson soltasse um flato e Jacson ouvisse, este não diria a seus pais, da mesma forma, se Jacson fizesse xixi na cama, aquele também nada contaria.


Mas este amor foi comprovado de uma forma ímpar, inusitada e bastante sincera.


Ambos entraram numa escolinha de artes marciais, não sei qual arte – na verdade não entendo porque esportes tão violentos são chamados de arte, mas tudo bem, os praticantes me perdoem – mas entraram.


Jadson, o mais valente, não era muito técnico, mas como já dito, muito valente, voluntarioso. Mesmo com apenas 4 anos de idade, tentava derrubar seus oponentes mais velhos com sua inigualável força, se é que era tão inigualável assim.


Jacson, o chorão, era pura técnica, não batia forte, mas com jeito, como se fosse um campeão.


Para não haver competição entre eles, a mãe pediu para o professor não colocá-los para lutar entre si, e ele não colocava.


Mas todos sabem que impedir que gêmeos disputem superioridade entre si é impossível…Jadson, o mais forte, desafiou Jacson, o mais técnico, para um embate. E este, para não parecer chorão, até porque era conhecido como chorão, aceitou.


Definido o local – a sala de estar de casa – nada mais impedia a luta. Vestiram-se com as roupas do esporte e cumprimentaram-se, cordialmente, da maneira oriental, ou seja, curvando para frente seus corpos.


Por ser o mais valente, Jadson partiu para cima de Jacson que tentava se defender com sua superior técnica. Mas suas defesas foram em vão frente à força de Jadson, o mais forte. Este atingiu Jacson com um soco bem no rosto e um pontapé na barriga. A força de Jadson realmente fez a diferença…Jacson pôs-se a chorar, até porque era o mais chorão.


O mais valente a esta altura percebeu que realmente machucara o irmão, e, arrependido, suplicou:


Jacson, pode me bater também.


O mais chorão o olhou reticente.


É sério, pode bater irmãozinho…


E com certa dúvida deu-lhe um soco no braço. Mas por não ser tão forte, não machucou o irmão.


Mais forte – falava o mais forte.


E Jacson obedecia.


Mais forte – repetiu Jadson.


E o mais chorão não titubeou, bateu-lhe com vontade.


Agora machucou – disse Jadson já aos prantos.


Aí foi a vez de Jadson chorar, enquanto com um sorriso vitorioso Jacson o abraçava e dizia ao irmão, em meio à pena e alegria:


Não chora, não chora, Jadson…


O amor para eles é assim, e é lindo.

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Uma resposta em “O amor entre iguais

  1. Excelente crônica! As relações entre irmãos realmente passam por conflitos que vão desde a porrada pura e simples até o silêncio de um pro outro. Tudo depende do tamanho do conflito, mas sempre que é somente parte da inevitável competição entre irmãos, a coisa acaba em acordo quando uma das partes cede um pouquinho.

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