Uma história de amor

Uma história de amor

um piano de cauda!

Sempre quis ter o dom de alguns colegas para escrever grandes dramas, belos romances ou coisas do gênero, infelizmente meu negócio é escrever historinhas, crônicas e contos, essas coisas que ninguém lê. Não tenho a fértil imaginação de criar encontros e desencontros, diálogos apaixonados, situações românticas, não sou bom nisso…


Pra falar a verdade, não sei nem por onde começar…sei lá, como seria? Num encontro casual? Num esbarrão? Na classe da faculdade? Com um troca de olhares numa festa? Não, tudo muito batido…que tal se fossem vizinhos? Ah, já sei…


Ele é Jader, estudante de informática, viciado em aspirina e fã inveterado do Ronaldo do Corinthians, mora sozinho num apartamento no nono andar.


Ficou interessado na vizinha que se mudou para o apartamento ao lado do seu, muito bonita e simpática.


A vizinha era Kátia, acabara de se mudar, fazia Jornalismo e estava muito contente com a mudança, conheceria gente nova, pessoas mais interessantes, diferentes…ela gostava de conhecer gente diferente, gostava de novas amizades, por isso era simpática.


NOTA DO ESCRITOR 1: que porra de mania é essa de falar que quer conhecer gente “diferente”! Conhecer gente diferente para mim é conhecer a mulher barbada, o homem-raiz, o Slot do Goonies, o Michael Jackson…bom, voltando…


Mas temos que colocar algo mágico, algo que encante o leitor, algo como um liame entre eles…quem sabe se ele escutasse uma música da casa dela? Sim, um detalhe importante, ouvia-se o som de um piano de cauda…


O que mais atraiu a atenção dele foi chegar toda vez do trabalho ouvindo o som de um piano de cauda que vinha do apartamento dela, adorava aquele som, era uma maravilha, além de sonoramente bonito, parecia ser executado por uma pessoa apaixonada, cheia de amor…sim, apaixonada, e ele podia sentir isso.


Kátia fazia questão de se aproximar de seu vizinho, afinal era bonitinho, mesmo com aqueles óculos de cdf…o que mais nele a atraia era a atenção que ele disponibilizava fosse no elevador, no corredor ou para pegar as cartas da caixa de correio, ele estava dando em cima dela, mas ela não percebia, pensava que era o jeito dele.


Um dia encontraram-se no corredor e pararam em frente a casa dela que não fazia idéia que o nome dele era Jader quando perguntou:


Qual seu nome?


Jader – ele respondeu.


Quisera ela já saber pois quase morreu de rir, mas manteve a postura e a polidez dizendo:


Nome diferente…


Leitor, quando alguém disser que seu nome é diferente, é porque é ridículo…creio neste que lhe escreve.


E continuaram a conversar…


Você toca piano não é? – perguntou ele crente já saber da resposta.


Não, é minha mãe, ela toca piano de cauda.


Pensei que era você…


Eu ao toco nem pandeiro…


Agora a fase crítica dos romances, a parte patética que todos acham lindo…


Ah, mas tocou meu coração.


NOTA DO ESCRITOR 2: ´tá certo, forcei gigante, mas lembre-se, eu disse que não sei escrever romances…


Os dois riem, ela sem jeito, enrubescida, ele aflito, sem  saber se a flertara num momento apropriado ou não…


Você diz isso pra todas – ela respondeu com este chavão ridículo…


E assim foi o papo de sempre…


NOTA DO ESCRITOR 3: às vezes me pergunto se nós homens seremos um pouco criativos ou continuaremos “acreditando” que elas estão gostando da cantada e elas continuarão a fingir que estamos agradando…


Mas continuando o romance, já tinham se conhecido o bastante pra saírem juntos, isso, então ele a convidou…


Quer sair pra tomarmos um chope?


Não, parece convite de bêbado, num romance não se convida pra tomar um chope, mas pra ir a um passeio na praia ou num Shopping…como é mais fácil de se encontrar um Shopping do que praias limpas no país, ele a convidou pra ir ao Shopping…


Quer ir ao Shopping comigo? Vou fazer um lanche e depois podíamos pegar um cinema…


Agora sim, e ela aceitou…


NOTA DO ESCRITOR 4: este escritor é contra shoppings e cinema no primeiro encontro, todavia, as circunstâncias deste pseudo-romance me levam a cometer este crime na arte de cortejar. Pô, cinema no primeiro encontro não, né, meu!!!


Foram e voltaram – não dá tempo de ficar contando detalhes, até porque deve-se respeitar a intimidade dos dois, digamos que se beijaram ardentemente lá dentro e sentiram a sensação que o mundo era perfeito…ela sentiu-se como se tivesse ganhado o prêmio Esso e ele como se recebesse a camisa do Corinthians das mãos do Ronaldo…


Preciso de um desfecho, algo bem diferente, mas que apele para o drama….já sei…


Voltavam à pé para o prédio, mas no instante que iam atravessar, ela ficou com medo e parou, ele continuou a atravessar – ahá leitor, pensou que um dos dois ia morrer atropelado… – então a esperou do outro lado da rua…


Com o semáforo aberto para os carros, ficaram entreolhando-se…até que ela começou a gesticular, ele não entendia bem o que era…mexia os braços pra lá e pra cá, tentava falar algo, mas com o som dos veículos não ouvia, ela parecia começar a ficar desesperada, ele não sabia o porquê!


De repente algo caiu sobre sua cabeça…morreu, mas morreu pelo mesmo motivo que o fez amá-la…


Um piano de cauda!


NOTA DO ESCRITOR 5: eu falei que não sabia escrever romance, quem mandou você ler até o final?!

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4 respostas em “Uma história de amor

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