A vida não é escravidão

Os indígenas muito nos ensinam!

Estava conversando com um casal de amigos e de repente veio minha queixa – “nessa vida a gente vive para pagar contas, não devia ser assim…”

Minha amiga concordou que realmente isso era horrível e que sempre fazíamos isso mesmo, mas ainda assim, ela e o esposo iriam trocar de apartamento.

Realmente eles não são daqueles que gastam muito, não esbanjam, mas tem uma boa vida. Têm carro, bons empregos, sempre saem, viajam…só que ela está querendo muito a troca do apartamento.

Eu disse a ela que eles não precisavam trocar porque o apê deles é ótimo, de bom gosto e que uma prestação mais alta escravizaria os dois nos empregos e não lhes daria a oportunidade de eventualmente viajar mais, sair mais, etc…

E a vida não foi feita para nos escravizarmos por nossos caprichos…

Até falei que da vida levamos as experiências e momentos bons, não matéria, mas não adiantou…

O marido dela, também meu amigo, quase me abraçou quando eu disse o que pensava, pois ele compartilha do mesmo pensamento.

Não que eu seja exemplo de cara que vive com pouco…só se for mau exemplo, mas justamente porque sofro em demasia com esse meu defeito que tentei ajudar…

Isso me fez lembrar a história de uma senhora descendente de indígenas que me hospedou em sua humilde residência quando estive na América Central…mais precisamente na Guatemala.

Ela era costureira e toda manhã quando acordava espetava o dedo propositalmente numa de suas agulhas, emitindo um pequeno ruído de dor.

Fiquei três dias na casa dela e no terceiro dia, curioso, não agüentei e perguntei porque ela fazia isso e sua resposta foi mais ou menos assim:

– Espeto meus dedos toda manhã que é para eu me lembrar que a vida é composta de dor e sofrimento e que a cada dia temos que tentar ser o mais simples possível para minimizarmos essas mazelas e tentarmos ser mais felizes.

Aquilo ficou na minha cabeça…eu quero viajar o mundo, conhecer novos lugares, novas pessoas, outras culturas, achando que assim serei mais feliz, enquanto aquela senhora guatemalteca, que só conhecia as cidades próximas a sua, era muito mais feliz que eu dentro de sua simplicidade.

Infelizmente, não sei por que o ser humano pensa que será muito mais feliz com suas conquistas mundanas e materiais, quando o segredo está nas coisas mais óbvias da vida, como acordar toda manhã sabendo que estamos vivendo mais um dia…

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8 respostas em “A vida não é escravidão

  1. Oi, André!
    Gosto muito de ler seus “posts”, você deveria escrever um livro contando essas histórias pitorescas de suas viagens!
    Abraços,
    Denilson.

  2. Oi, André!
    Que bom que vc gostou da sugestão! Vai ser um grande sucesso de vendas, eu garanto!
    Boa sorte e grandes aventuras!
    Abçs,
    Denilson.

  3. Li em alguma “Super Interessante” ou outra revista do tipo, que cientistas da Universidade de ……. (esqueci qual era), descobriram que a felicidade é uma sensação de fluxo, um encadeamento de realizações, conquistas. Se isso for verdade, uma vida simples pode trazer a felicidade àqueles que desejam apenas acordar, trabalhar para seu sustento, comer e dormir. Qualquer outra coisa que vier é lucro. Porém, não acho que essa vida serve àqueles que têm sede de experiências, de conhecimento, não dá pra forçar a barra nesse sentido. Mas é certo que precisamos dar valor às nossas conquistas, até para perceber que estamos caminhando. Aliás, é como esse nosso passeio: não estou realmente preocupado se vamos até o Pico da Bandeira, o Aconcágua ou ao Corcovado, o que me interessa é IR…

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