Apenas de passagem

A morte é uma porta que esconde outra vida!

Num dias desses estava conversando sobre vida após a morte com uns amigos e dentre eles havia um que havia ido para Índia e passado três meses em busca de tranquilidade.

Além da traquilidade, aprendeu poucas coisas da cultura do país que possui inúmeros cultos, religiões e filosofias de vida.

Sobre o assunto ele falou:

– Um dia eu estava num culto, não me recordo qual, e lá estava uma senhora com um bebê no colo.

E continuou:

– Tudo normal se o bebê não estivesse morto…!

Meu amigo perguntou a quem lhe levara no culto o porque daquela mulher levar seu filho morto…se ela não deveria estar velando o corpo e chorando…

Explicaram-lhe que na cultura deles, a morte tinha um sentido diferente; a morte na verdade libertava o ser humano do sofrimento e demonstrava que ele cumprira sua parte no mundo material, ao menos naquela vida…e a morte era renascimento!

Aquela mulher na verdade estava lá com seu filho falecido apenas para que fosse abençoada sua alma para que pudesse encontrar seu caminho para iniciar um outro ciclo até reencarnar…e ela sofria, era claro, mas evitava sentir dor porque sabia que isso dificultaria a alma do seu bebê ter tranquilidade de também se desapegar de sua antiga vida…

Outro amigo disse que numa viagem conheceu um casal alternativo que criava o filho de uma maneira diferente.

Não frequentava escola, pois eles lhe ensinavam a ler, escrever, fazer operações matemáticas, além das demais matérias básicas; não forçavam seguir nenhuma religião, pois ele escolheria quando crescesse;  e faziam algo diferente para ele aprender que tudo na vida é passageiro…

Desde pequeno quando já possuía algum entendimento, eles compravam uma bexiga toda semana…a criança brincava, brincava e brincava até a bexiga estourar…daí, ficava sem uma bexiga até que ganhasse uma nova…

Estava ensinando o sentimento da perda; que nada na vida é perene, que tudo se perde e quase tudo se consegue novamente pois o mundo vive girando…

Quando a criança cresceu um pouco, compraram um peixinho…propositalmente…o peixe viveu pouco, cerca de seis meses…e o menino chorou, chorou a perda…

Os pais então lhe disseram que o peixe era como a bexiga, só que com sentimento…explicaram que tudo na vida passa, inclusive aqueles que amamos se vão…e por mais que os amemos, não podemos nos escravizar pela presença física, pela matéria pois ela sim é frágil, mas não a alma…essa era eterna!

Tudo para que menino entendesse que a morte não é o fim da vida, mas apenas uma parte dela…que continuaria em muitos e muitos ciclos…

A conversa com meus amigos foi difícil, estranha…estranha para quem vive num país acostumado ao apego ao corpo, à presença de quem amamos ao nosso lado…talvez isso funcione bem para aqueles que evoluíram espiritualmente, mas para mim é algo a se alcançar…

Enquanto isso, ainda choro a perda daqueles que amo, enviando energias e torcendo que nos encontremos realmente em algum desses tais ciclos da alma…nem que seja para tomar um café, pois a morte é apenas uma porta que esconde outra vida!

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