MINHAS VIDAS PASSADAS 03 – Um pintor fracassado

Outra triste lembrança de uma vida passada que tenho foi a de artista…eu era um pintor…e fracassei na profissão!

Esta vida foi anterior a de meretriz que já contei a vocês.

Nasci em Zundert, na Holanda, e recebi o nome de Vincent…nome de meu avô e de meu primeiro irmão, natimorto exatamente um ano antes de eu nascer.

Aliás, sempre me questionei quanto a este gosto nefasto e estapafúrdio de meu pai.

Num período da minha vida fui para Bruxelas tomar aulas de pintura por insistência de meu irmão Theo.

Aqui me apaixonei por Kee vos-Stricker, porém, ela respondeu com um NUNCA a meu pedido de casamento…

Aborrecido, mudei-me para Haia, estudar artes com meu primo…lá conheci Sien…uma prostituta grávida com quem me enrosquei…todavia, quando meu pai soube, exigiu que me separasse dela.

Após terminar meus estudos, fui para Nuenen, ainda na Holada, onde conheci Margot e decidimos nos casar, mas sua família nos impediu…e a probrezinha tentou o suicídio…mas era tão abestada que nem isso fez direito…

Com todos estes fatos desairosos, passei a usar absinto…e com certa frequência…

Em seguida, mudei para Paris para tentar melhor sorte com meu irmão Theo…e lá conheci diversos outros pintores, estes, claro, com mais sucesso que eu que não conseguia quase dinheiro algum…preferia até deixar de comer para que pudesse pintar.

De Paris a Arles, onde me inspirei e passei a pintar vários quadros com girassóis, mas ninguém gostava…acho que ninguém me entendia…

Girassóis, de Van Gogh!

Mas foi lá em Arles que consegui vender meu primeiro quadro…por $ 400 francos, chamado de O Vinhedo Vermelho.

Lá em Arles, Gauguin, que conhecera em Paris, veio morar comigo…e apesar de admirar seu trabalho, via que era um cara que me incomodava bastante…

Num dia desses, numa briga, ele me disse:

– Vincent, você é chato pra caramba! Deixa de ser bipolar, depressivo e vamos para uma rave!!!

Mas eu só queria pintar e nada mais.

Porém, num dia de um surto psicótico, quando Gauguin apareceu em casa, eu estava com uma navalha aberta para ele…triste esta minha atitude…

Com isso, ele foi dormir numa pensão…e eu fiquei com a consciência pesada pelo que fiz.

Transtornado, resolvi cortar o lóbulo de minha orelha esquerda em sinal de autoflagelação e dei para Rachel, uma amiga minha que trabalhava numa casa de tolerância…entreguei e lhe disse – “guarde com cuidado!”

Depois até pintei um autoretrato sem a minha orelha, mas fui tão burro que como fiquei me olhando no espelho, pintei a orelha direita como a cortada!

Após o episódio, o pessoal de Arles ficou meio com medinho de mim e me internaram, o que agravou meu quadro de depressão!

Em 1890, fui liberado do manicômio e me mudei para Auvers-sur-Oise, perto de Paris, para ficar mais próximo de meu irmão e onde fui tratado pelo Dr. Gachet, o qual retratei num quadro.

No entanto, ninguém via melhoras no meu estado…estava cada vez mais depressivo, pobre e não comia ninguém a não ser que desembolsasse uns francos!

Sentia-me um fracassado porque vendera apenas um quadro a vida toda e não tinha grana nem para minhas amigas de prostíbulo, nem para o abstino…

Então, num daqueles dias tristes – daqueles em que quando acorda já bate a canela no pé da cama, suja a unha quando está se limpando porque fura o papel higiênico e queima a língua no café quente -, fui até os campos da cidadela, monido de uma arma e atirei contra o próprio tórax!

Dois dias depois, sucumbi ao lado de meu irmão…e deixei como última frase:

– A tristeza durará para sempre!

E a última coisa que ouvi quando minha alma deixava meu corpo foi:

– Era um fracassado mesmo, nunca ninguém compraria outro quadro dele…

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