MINHAS VIDAS PASSADAS 05 – Um destino para todas as vidas

Teria sido injustiçado?

Outra vida que me traz recordações não tão boas é tão antiga quanto Jesus Cristo.

Aliás, nessa vida eu realmente convivi com Jesus, meu nome era Judas, Judas Iscariotes!

Ouvi que havia um Cara muito inteligente que estava recrutando algumas pessoas para segui-lo, bom, estava meio perdidão na vida, sem saber o que fazer, então, decidi – “ah, vou seguir este Cara!” -, e assim começou minha saga atrás Dele.

O problema é que Ele falava demais, contava umas histórias muito loucas e eu não entendia patavina nenhuma…num dia desses, faz aparecer um monte de pão e tivemos que ajudar a distribuir para o pessoal…mó trabalhão…eu queria sossego, queria ficar descansando…tanto que Simão Pedro sempre se referia a mim com esta frase:

– Xi, o Iscariotes não quer nada com a vida, não! Tanto que reza para o Oceano pegar fogo pra poder comer peixe frito à beira-mar!

Figura esse tal de Simão Pedro!

Além disso, eu tentava esconder um problema que tinha, não conseguia mentir…não por princípios, era alguma disfunção neural que fazia com que eu só falasse a verdade!

Judas, quer um pouco de água?

Não, Senhor, queria era vinho mesmo!

Daí surgiu a transformação de água em vinho!

– Judas, você acha que meu povo está bem alimentado?

– Na boa, Jesus, é melhor Você fazer aparecer mais uns pães aí porque tem neguinho reclamando que Você só fica discursando e na hora do rango é miguelado!!!

Foi então que houve a multiplicação dos pães.

O problema é que Jesus não ligava pra dinheiro, não tinha renda…e, meu, eu já estava cansado dessa vida de pobretão…Jesus pregava que viveríamos num reino e abracei sua ideia…só demorei para entender que no plano espiritual…

Um dia perguntei:

– Senhor, lá no Reino de Deus tem bebida?

– Não!

Continuei – Tem sexo?

– Não!

– Então aquilo não é um reino, é no máximo uma casa de repouso…

Foi a gota d´água…Jesus não gostou muito e passou a me queimar entre os apóstolos…

Como nossa relação já não estava boa, no dia da Santa Ceia, Ele começou a propagar que seria traído por um de nós…os demais já começaram a olhar para minha cara, ficaram fazendo casinha pra me derrubar…o pior foi o falso do tal de Simão Pedro ficar puxando o Saco de Jesus, dizendo que nunca o trairia…ainda tomou uma canelada Dele que lhe asseverou que ele negaria a Jesus por três vezes, o que aconteceu.

Meu, isso dava um pouco de raiva…Ele sempre sabia o que íamos fazer, o que pensávamos, o que sentíamos…era algo meio desagradável…

E jogar xadrez com Ele então???!!! Irritava!!! E pior, parecia que queria se mostrar como o Senhor do Universo, o Sabe-Tudo, porque acabava com a partida em três jogadas!!! E logo Ele que não precisava ficar se exibindo…

Voltando aos fatos então…

Após Ele insinuar que eu o trairia, saí porque fiquei realmente magoado…fui dar uma volta…

Mas ´tá ligado que o azar á amigo do destino, né?

Adivinhem quem encontrei???

Uns centuriões que estavam em busca de Jesus Cristo…e perguntaram justo pra quem onde Ele estava???

Claro que pra mim!

A abordagem foi mais ou menos assim:

– PERDEU, PERDEU, malandro! – gritou um deles.

– Mão pra trás e sem fugir, senão a gente caça você com nossas lanças, firmeza?! – ameaçou outro.

– Tá bom, tá bom, o que vocês querem???!!! – respondi amedrontado.

– Olha, mermão, me falaram que ´cê é truta do Homem…e vai nos dizer onde é que o Cara ´tá…! – disse um cara com uma lança em punhos.

– Que Homem, que Homem??? – perguntei ainda assustado!

– Jesus, velho! Dá o papo logo aí, senão o negócio vai ficar sinistro pro seu lado! – Ameaçando-me de novo o cara da lança.

Daí que meu problema de não conseguir mentir manchou meu nome na história…

– Conheço Jesus sim, conheço, sou apóstolo dele!

– Tá certo, mano! Se continuar com esse proceder, vai ficar de boa! – me tranquilizou outro.

– Onde ´tá o Cara? – indagou o da lança, que parecia o chefe deles.

Indiquei tudo, como chegar, como fazer e se tivesse GPS, até as coordenadas eu daria…não conseguia mentir…

– ´Tá certinho, agora ficamos satisfeitos…´tô, ´tá aí umas moedas de prata como recompensa…

– Mas eu não quero nada, não quero ficar com isso… – supliquei.

– Agora é teu, mermão, faz o que quiser com isso… – ironizou um dos centuriões.

Com isso, os apóstolos ficaram me chamando de traidor e fiquei extreamemente magoado e acabei me afastando

Mas como eu era um bichinho azarado da bexiga, estava bem no meio da multidão quando Pilatos lavou as mãos e deixou o povo decidir entre Jesus e Barrabás.

Quando ele perguntou quem deveria soltar, eu que estava muito injuriado, dei um espontâneo grito de desabafo:

– AH, LIBERTE BARRABÁS! – porque estava realmente ofendido com Jesus porque ele desfizera meu filme perante os demais apóstolos.

– Só que sabe como é multidão…eu dei o grito, daí, outro puxou o coro e o povo abraçou e em poucos segundos, já ecoava nas vozes do povo:

– LIBERTE BARRABÁS, LIBERTE BARRABÁS, LIBERTE BARRABÁS…

E daí a história todo mundo conhece…Jesus crucificado e eu enforcado de remorso…

E a última coisa que eu lembro de ter ouvido quando minha alma saía do meu corpo foi:

– Xiii, o cagueta morreu…

O problema é que até hoje eu sofro as consequências de ter pedido para libertar Barrabás…por isso sofri tanto em outras vidas…

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