MINHAS VIDAS PASSADAS 06 – uma vida sofrida

Muralha que ajudei a construir!

Esta vida que vivi talvez tenha sido a primeira ou segunda…não tenho certeza, porém, é uma das que mais me orgulho porque ajudei a realizar um dos maiores monumentos da humanidade, a Muralha da China!

Eu trabalhava carregando os blocos de pedra de um lado para o outro para que os demais fizessem a construção, ´tá certo que eram muito pesadas, que era difícil carregar, no entanto, a maior dificuldade que eu tinha era meu tamanho, pois era um chinês anão.

Kho Tho Ko era meu nome e não tive muita sorte nesta vida, nasci já escravo e com alguns anos de vida perceberam minha deficiência vertical.

Logo fui “convidado” a participar dos trabalhos da muralha pelo clã Liu, que comandava a China durante a Dinastia Han.

Aliás, coincidentemente, meu feitor era Liu Lee Pho, que anos depois, já nesta vida, reencontrei e é um grande amigo meu, pena que não se recorda desta vida passada como eu me lembro.

Trabalhar na muralha da China não foi um trabalho fácil, horas e horas carregando pedras, polindo-as, limpando-as e ouvindo um monte de graça dos meus superiores.

Meu único amigo era um velho, manco e cego que toda noite colocava a mão em meu aparelho genitor masculino, confundindo-se – “ah, desculpe, pensei que era minha bengala!” – desculpava-se – “coitado do pobre cego Soo Gue Hy” – eu misericordiosamente pensava.

Uma das coisas que mais me irritava era a hora da ducha em todos os trabalhadores, ficávamos só entre homens, todos juntos, amontados e nus, e eu lá, um anão no meio de um monte de chinês pelado!!!

Imaginem como era para mim, um anão entre um monte de homem, com minha ridícula estatura, eu batia na cintura dos demais e ficavam um  monte de pênis esfregando em mim…muitas vezes eu meu rosto saía feito parecendo um quadro, de tanta pintada na cara que eu tomava!!!

Pra quem fala que todo oriental tem pênis horizontalmente prejudicado, é porque não conheceu o Pee Kha Soo, um chinês normal, a não ser pelo descomunal tamanho de sua jeba!

Todos fugiam de Pee Kha na hora do banho, eu também não era diferente, porém, como era nanico, nem sempre conseguia e ficava com o insturmento perto da minha cara como se dissesse – “vou te pegar!”

Passava semanas sem ir para a ducha, até que meu cheiro se tornava insuportável para os demais e os próprios trabalhadores me forçavam a tomar banho com os demais!

Sofrimento!

Mas sofrimento mesmo foi o dia de minha morte, estava carregando uma das enormes pedras num aclive e sem a ajuda de ninguém, muito menos com amarras, apenas empurrava a pedra barranco acima…dado momento, só escuto alguém gritando:

– 看 石头!(kàn shítou!) – ou algo como – “Caralho, a porra da pedra caiu!”

Só que eu, atrapalhado com meu serviço, não consegui fugir e só uma sombra vindo em minha direção e um barulho a partir do choque – poff!

Terminava ali minha vida de sofrimento como anão chinês…e a última coisa que ouvi quando minha alma saía do corpo foi – “ainda bem que não acertou em ninguém…”! (Xìnghǎo méiyǒu dòngshǒu dǎ rén…!).

E por anos pensaram que o anão chinês tinha fugido da escravidão!

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