MINHAS VIDAS PASSADAS 07 – A mina do Rei Salomão

 

Allan Quarterman não sabia nada da Mina do Rei Salomão!

Uma vida que gosto muito de lembrar é a que tive como construtor do Templo de Salomão.

Sim, ajudei na construção do famoso e venerado Templo, onde estaria inclusive a arca sagrada.

Se alguém me perguntar os segredos do Templo, da Arca ou sobre uma possível riqueza escondida por Salomão, desculpe-me, mas eu era um reles pedreiro naquela empreitada e quase nada sei…aliás, nem ler e escrever eu sabia, quanto mais os segredos tão cobiçados pela humanidade e se tivesse conhecimento de segredo, perderia minha vida, mas não revelaria os segredos.

Comecei trabalhando com ajudante geral, usava o maço e o cinzel e ficava o dia inteiro lapidando a pedra bruta, ô servicinho chato!

Depois, fui meio que promovido e passei a uma espécie de encarregado e me deram até um aventalzinho diferente para guardar minhas ferramentas.

A vida era dura na construção do Templo, mas acabei dando um ralo legal e cheguei a mestre de obras até chegar a um patamar que eu era o cara mais famoso no ramo da arquitetura daquela região…fiquei meio que amigo do cara, meio que chapa do Salomão e passei a frequentar ali a realeza.

Tudo ia bem, até que um dia apareceram duas loucas lá…duas prostitutas rampeiras quebrando um pau e armando mó barraco.

Logo imaginei que o Saloma – apelido carinhoso que eu dei a Salomão – ia causar mandando as duas embora…no entanto, me confidenciou baixinho:

– Ih, mermão, uma delas é uma minazinha aí que eu dou uns perdidos de vez em quando.

É, o negócio ficou estreito para Salomão.

Mas o cara era bom, manteve a dignidade e serenidade…ficou na dele.

As duas chegaram com um papo meio estranho.

Moravam juntas, eram prostitutas e engravidaram na mesma época…após o parto, voltaram para a casa e nos primeiros dias dos bebês, um deles faleceu…agora as duas discutiam pela criança que restava e como armaram o maiorrrr barraco no prostíbulo, a guarda real foi obrigada a levá-las até a presença de Salomão para ele decretar de quem era a criança.

Salomão ficou impassível diante do problema…parecia tranquilo, mas eu via suor escorrendo pelo seu rosto, vi que por dentro estava muito nervoso.

As mulheres brigavam entre si:

É meu! – dizia uma

Seu nada! – dizia a outra – tu deixaste o seu morrer em seu leito!

Salomão olhava tudo aquilo e, de repente, gritou:

– MULHERES, SILÊNCIO!

Todo salão do Templo se silenciou, as mulheres então…não passava nem vento…

E continuou nosso Rei:

– Façamos o seguinte, já que ambas alegam ser a mãe, dividamos o rebento em dois, assim, cada uma fica com uma parte.

A decisão provocou “óóóós” entre os presentes e uma reação inesperada de uma das mulheres.

– Senhor, meu Rei (acho que veio daí a expressão baiana), por favor, não faça isso com meu filho…se for para dividi-lo ao meio, que esta vagabunda fique com meu filho e crie dele com carinho!

Salomão agora com um ar mais sereno declarou:

– Mulher, com estas palavras, está provado que és a mãe do guri, declaro que o filho é seu!

E todos ficaram espantados com a sabedoria de Salomão, pois ninguém imaginaria que ele blefaria para descobrir quem era a mãe.

Depois, informalmente, conversando com ele, eu o elogiei:

– Saloma, tu mandou bem! Nunca eu blefaria daquele jeito para descobrir quem era a mãe!

– Blefar? Ih, Hiramzinho (este era meu nome, Hiram ABiff) Quem disse que eu blefei?! Não te falei que eu visitava uma das duas? Então, fiquei morrendo de medo de que fosse meu filho e mandei dividir a criança para meus herdeiros não terem que compartilhar a herança com ele, mas como a mulher que falou para deixar a criança viva não era a minha mina, resolvi deixar o bebê vivo mesmo, foi por pouco – suspirou Salomão.

Fiquei espantado com a esperteza de Salomão, o cara era safo mesmo!!!

Esta vida foi um misto de dureza e curtição…como amigo do Salomão, desfrutei de muitos prazeres da carne porque o cara era chegado numa mulherada…aliás, os rastafari dizem que ele teve um romance com uma rainha Somalí que teria gerado a descedência real de um salvador que estaria por vir e tals…pra verem como o cara não tinha tempo ruim!

O mais engraçado foi o dia da minha morte…

Chegou primeiro um cara do nada e me pediu para revelar o segredo…e o único segredo que eu sabia era o da prostituta do Salomão…não falei nada, mas tomei uma reguada no pescoço!

Depois veio outro querendo saber sobre o tal segredo e aí repeti a frase que não revelaria o segredo e que preferia morrer a revelar  (hoje eu penso “será que os caras não entenderam que eu estava blefando?”)-, daí, tomei uma esquadrada no tórax!

E por último, veio outro cara, aliás, todos eram encarregados de obras, e também queria saber algo sobre um segredo e eu respondi – “não sou cagueta, meu brother!” – e me virei para ir embora, quando fui atingido por um maço na cabeça e caí morto no chão!

E a última frase que ouvi quando minha alma saía do meu corpo foi – “agora ninguém mais o reconhecerá…!” – enquanto eu subia aos céus no maior veneno porque sempre ouvira que cagueta morre cedo e naquele caso ocorrera o contrário…!

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