Um romance moderno


Alaor só queria viver um grande amor!

Alaor tinha este nome porque seu pai adorava carnaval e para ter a lembrança da festa pagã, colocou o nome no filho como se fosse uma onomatopéia – “A La La ô ô ô ô ô ô ô!” – pronto, ficou Alaor, ainda que seu pai nem imaginasse o que era uma onomatopéia.

Alaor não tinha muita sorte com as mulheres, era realmente um cara que não conseguia levar um relacionamento à frente e sempre era dispensado pela mulher.

Alaor começou até a pegar birra das mulheres pois fora muito magoado em toda sua vida – “feliz é o zangão que dá uma e morre, assim não fica sofrendo por amor!”.

Pobre Alaor!

Com isso, Alaor se concentrou no trabalho, faz carreira de sucesso e conseguiu muito dinheiro, mas ainda assim, não tinha o mesmo êxito com as mulheres…

Bafo? Fedor? Feiúra? Chatice?

Ninguém sabia qual era o problema de Alaor com o sexo feminino, ou melhor, do sexo feminino com Alaor.

Até que o dia o sacana do destino fez com que ele trombasse com menina jeitosinha, meio magra, meio sofrida pela vida…mas que chamou a atenção de Alaor…aliás, qualquer mulher que olhasse para ele, ficava interessado.

Então, timidamente, após o literal esbarrão, ela disse:

– Perdão, moço! – com um forte sotaque nordestino.

– Que nada, você não me machucou, não aconteceu nada…

– Então, tá bom, deixe eu ir porque ´tô atasada

– Peraí, peraí, a gente nem se conheceu direito…meu nome é Alaor…e o seu?

– Alaor?

– Isso.

Pazer, Pureza!

“Pureza” – pensou Alaor. O nome dizia tudo, bela e delicada e pura como o nome…Alaor se apaixonou logo com o “pureza” e nem ligou para dificuldade da menina de usar o “r” entre as consoantes que exigiam seu uso.

Chamou Pureza para sair no dia seguinte e no outro e no outro e no outro…até que um dia se beijaram…se beijaram ardentemente como foram ardentes os momentos seguintes na casa de Alaor.

Foi a melhor noite de sua vida, foi a melhor transa da sua vida, era a mulher de sua vida…ou muler, como às vezes dizia Pureza.

Começaram a namorar e logo Alaor a chamou para sua casa…e ela aceitou.

Era uma vida maravilhosa, algo que Alaor nunca imaginara…estava feliz no trabalho e agora na vida amorosa.

Num desses dias, Alaor chamou Pureza para uma conversa…a relação estava boa, estava maravilhosa…mas ele queria mais, muito mais, queria um casamento, filhos, netos…

– Pureza, você que eu amo você – iniciou.

– Lá vem você com esse papo de chibungo, né?

– Peraí, peraí, Pureza…

– Tá bom, pofalá…

– Então, eu queria um pouco mais pra gente…

– Mais que homi safado da peste, o que te dou não basta não?

– Não é isso não, Pureza, eu quero um casamento, uma união, filhos…

– Filhos? – indagou Pureza.

– Sim, filhos, Pureza!

– Sabia que isso um dia ia atrapalhar…

– Mas por que Pureza? Você não quer ter filhos?

– Né isso não, mas é que a operação que eu fiz ainda não tem solução para ter filhos não…

No momento Alaor parou para pensar por uns cinco segundos…depois, olhou desesperadoramente para cara de Pureza e em seguida saiu correndo para o banheiro para vomitar.

Alaor continuava com a sina de não conseguir que as mulheres ficassem muito tempo com ele…as mulheres…

Depois disso, nunca mais se ouviu falar de Alaor e Pureza, mas dizem que até hoje ele não se recuperou.

É, às vezes Deus escreve certo por linhas tortas, outras é só um rascunho!!!

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