PRA VOCÊ LER DEPOIS 17 – Uma difícil decisão!

Pedro, muito importante em cada decisão da minha vida a partir de agora!

Pedro, meu moleque, descobri uma outra coisa engraçada em ser pai…ser pai abriu uma porta até então desconhecida por mim, algo que nunca imaginava e que me deixou intrigado…

Descobri que após ser pai, sou efetivamente aceito numa espécie de sociedade secreta, tal qual os Iluminatti, a Maçonaria ou torcedores da Portuguesa ou América.

É sério!

Depois que você nasceu, parece que vários amigos meus com filhos se aproximaram e se tornaram mais sensíveis, menos metidos a machões e sempre aparecem com um conselho para que eu possa criar você melhor.

Um me disse que a esposa tem nojo de trocar o filho e ele quem sempre acaba fazendo, tal qual um carrasco, o serviço sujo…

Outro me contou que passa noites e noites acordado, olhando para o berço para verificar se está tudo bem com a filha e se não está respirando…não quer dar sopa para o azar.

Mas até já houve quem me confidenciou que para o filho não se desacostumar do peito da mãe, usou um seio de amamentação postiço com leite NAN, enquanto a esposa tinha que ficar em repouso…absurdo!

E todos esses aí me pareciam os verdadeiros ogros ou espartanos, não tinham qualquer sensibilidade, daqueles que comiam asa de frango com a mão, deixando escorrer a gordura pelo chão da sala…mas nem sempre se é assim.

No entanto, todo esta introdução serve apenas para contar a história de Rômulo, o grande pai, como o chamo ainda.

Rômulo tinha um emprego que adorava, sua carreira decolava e vivia para trabalhar.

Comandava o setor de exportação de produtos da empresa onde trabalhava, gerenciava os portos de Sul a Sudeste.

Adorova o que fazia, era feliz com isso…não ligava em perder fins de semana trabalhando, noite virados, relatórios para entregar…tudo era uma diversão.

Tudo ia muito bem na sua vida profissional…e pessoal!

Verônica, sua esposa, deu a notícia da gravidez! Uma gravidez esperada depois de anos tentando; Rômulo ficou muito feliz, Verônica ficou muito feliz…ficaram felizes juntos!

Começaram a preparar tudo, o enxoval, o quarto, as fraldas…tudo maravilhoso…não sabiam o sexo ainda, então, tentavam comprar tudo meio neutro para não errar demais.

Rômulo trabalhava ainda melhor, ainda mais, produzindo resultados para empresa e quando chegava em casa, curtia a gravidez de Verônica.

Porém, certa noite, Rômulo chega em casa abatido, gravata desarrumada – ele não era disso -, ombros caídos.

– O que foi, meu amor? – indagou Verônica preocupada.

– A empresa, Verônica, a empresa vai fechar…parece que vai fechar a filial no Brasil…

– Mas todos serão demitidos? – perguntou desesperada.

– Não, nem todos…eu recebi uma proposta…

– Sério? Que bom, deixarão você como um correspondente ou trabalhará em casa?

– Nada…a proposta foi para trabalhar na Índia, na filial de lá.

Verônica chorou. Rômulo também chorou…e em algum momento dentro de sua mãe, o bebê ainda sem sexo também deve ter chorado.

Claro que Verônica poderia ir com Rômulo para Índia, mas ela não iria…estava grávida e o fato de ser cadeirante dificultaria muito sua vida e adaptação em outro país…

Aliás, ali, no Rio de Janeiro já estava adaptada. Seus pais moravam perto, sua casa era projetada, até o quarto do bebê já fora feito para suas necessidades.

– E você  pretende ir? – questionou a esposa.

– Não sei, não sei, amor…é nosso sustento, é o sustento do bebê…e é algo que adoro fazer…e lá terei um cargo ainda melhor e o dobro do salário.

Rômulo pensou, pensou muito, solitário em suas decisões, questionou-se sobre o que deveria fazer…

Verônica deixara claro que não iria e que se ele fosse, não continuariam juntos, apesar dela estar naquela condição difícil.

Rômulo foi.

Rômulo foi até a Índia, conversou com os diretores da empresa, explicou sua situação, mas não teve jeito, era a demissão ou a promoção.

Voltou e conversou com Verônica.

Tinha negociado uma viagem por mês para ver a família, tinha negociado férias no Brasil de quarenta e cinco dias…queria aceitar, queria trabalhar lá, mas queria a anuência da esposa.

Verônica não aceitou e Rômulo não ficou com a promoção para o bem da família, para ficar mais próximo de seu filho.

O filho nasceu, ele e Verônica começaram a brigar, passaram a não se entender, perderam a harmonia…

Hoje em dia estão separados, ele vê o filho a cada quinze dias e nas férias…arrumou um emprego menor, ganha menos, trabalha muito ainda.

Mas diz que não se arrepende, diz que ter ficado perto do filho valeu mais que qualquer promoção e que agradece à Verônica todos os dias por não tê-lo deixado partir.

– Abri mão de algo que me faria muito satisfeito, mas nada me faria tão felz quanto ver meu filho nascendo e crescendo…curti muito este momento inesquecível…e nem lembro da promoção.

Abrir mão de alguma coisa na vida não significa perder algo, sofrer, mas sim decidir por alguma coisa que nos dê mais prazer, mais felicidade, mais alegria…não é fácil escolher nem pesar o que  nos dará tudo isso, mas é mais comum na vida do que imaginamos…

E mais uma vez agradeço ao meu filho por me ensinar algo assim ainda nesta tenra idade…ele e Rômulo.

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