CÁLCULOS RENAIS

Este é um poema antigo que fiz sobre o tema tão doloroso, espero que curtam!

Ela chega devagar,
Em geral sorrateira,
Ataca pelas costas,
Não menos traiçoeira,
Começa ora pontuda,
Como fiapo de madeira,
É dura e maligna,
Que ninguém a queira,

Depois expande no corpo,
Como cachoeira,
Não há dor mais forte,
Nem de parideira,
Sai a paz entra o mal,
Onde está a enfermeira,
Se ela não aparecer,
Lá vem a dor de furadeira,

Meu corpo esquenta,
Tal qual torradeira,
Suo frio de desespero,
Faço uma molhadeira,
Ninguém me socorre,
Só me resta a choradeira,
Grito e suplico pelo alívio,
Da loucura fico à beira,

Vômitos e lágrimas,
Querendo morte derradeira,
Peço pra ficar incólume
desta dor matreira,
Chega enfim a ajuda,
Não é ligeira,
É burocrata servil,
É brasileira,

Estou lânguido,
Sôfrego pela curandeira,
Prescreve coisas lá,
Talvez besteira,
Quero logo minha injeção,
A milagreira,
Ou logo irei virar
reles poeira,

Sinto leve perfume,
Como alcaparreira,
Vejo rapidamente
minha vida inteira,
Enfim serenidade,
Antes não costumeira,
Sem cálculos renais,
Sem mais pedreira.

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