UM SONHO DE MULHER

sininho

Começou assim:

– Oi, Japa, posso bater uma? – uma mulher linda de cabelos castanhos claros, olhos amendoados, pele branquinha e lisa lhe fazia essa pergunta capciosa e ainda lhe chamando de “japa”.

Ele olhou por mais uns dois segundos antes de responder e viu que ela empunhava uma câmera reflex na mão direita e então entendeu.

– Pode, pode. Mas por que de mim?

– Estou tirando fotos aqui no parque para meu TCC, por enquanto para arquivo, se não se incomodar… – ela explicou.

– Claro, pode tirar.

Click.

– Obrigado, Japinha – ela se despedia quando:

– Ei, menina, não quer tomar algo comigo? – tão logo convidou pensou: “Quem chama uma mulher de uns 22 anos de menina? Um pedófilo? Só faço merda mesmo.”

– Menina? Gostei.

E com um sorriso simpático sentou ao lado dele.

– Patrícia – se apresentou.

– Álvaro, mas se preferir pode me chamar de Japa ou Japinha como já fez.

Ela ria. Estava indo bem.

– O que está bebendo? – indagou.

– Chocolate quente.

– Um pra mim também.

Ela até esqueceu do TCC, ele acabou mais uns três chocolates, o papo ficou divertido e um se encantou pelo outro.

Dado momento ela disse:

– Preciso ir embora, já está tarde e moro longe.

– Eu te levo.

– Não, não dá, é muito longe.

– Longe quanto? Franco da Rocha, Caieiras?

Ela riu.

– Não, mais longe, Terra do Nunca.

-Então, deixa eu te levar, sempre quis conhecer o Peter Pan.

– Não, nunca, não saberia voltar.

Riram. E ela disse:

– Vamos fazer o seguinte, qual seu endereço? Quando der eu apareço.

Ele morava em Moema, passou o endereço, despediram-se, deixando no ar aquela sensação de quero mais, aquele suspiro de paixão, aquela ansiedade para o reencontro.

Ele voltou pra casa, cheio de desejo, cheio de vontade de ver aquela mulher novamente, cheio de amor.

Chegou, foi até a geladeira para pegar uma cerveja, viu a lata de Nescau e sorriu ao lembrar da tarde que passara, foi até seu quarto, ligou a TV, deitou em sua cama e adormeceu.

Durante a noite acordou com um sobressalto, sonhara com Patrícia, sonhara que ela voara até sua janela, tal qual a Sininho do Peter Pan, mas do tamanho normal, e de maneira sensual lhe dizia novamente dessa vez com um sorriso malicioso no rosto – “Oi, Japa, posso bater uma?” – enquanto se deitava na sua cama e tiveram uma ardente noite.

Olhou para os lados e ela não estava, realmente fora um sonho apenas, uma pena.

Só estranhou as duas canecas de chocolate quente ao lado da cama e uma Canon reflex no chão…

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