NO AMOR E NA DOENÇA

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Ela apareceu sem avisar:

– Oi, amor!

Nilson quase caiu da cadeira quando viu Lucimara completamente careca e exclamou:

– Lucimara, está tudo bem? Por que raspou a cabeça?

– Por solidariedade, oras…vi na Caras que umas esposas fizeram isso, como sou sua namorada, resolvi fazer também. – Ela adorava Caras.

– Mas, Lu, ainda nem comecei a quimio…

– Eu sei, mas é apenas pra te dar uma força, te mostrar que estou a seu lado.

– Obrigado, obrigado, foi um ato de amor, você é linda…era mais quando tinha cabelo, mas ainda é.

Riram.

No dia seguinte, no café da manhã, Nilson sentou ao lado de Lucimara e carinhosamente passou a mão em sua cabeça completamente pelada e lhe disse:

– Amor, de madrugada quando acordei para ir ao banheiro e olhei pra você com esses lábios pequeno, olhos ovais, cabeça raspada e rosto arredondado, só conseguia pensar numa coisa…

– O que, amor? – perguntou ansiosa.

– Compre uma peruca, vai, está parecendo o ET do Spilberg!!! Está feia pra caralho! Desculpe, o gesto foi lindo, mas está parecendo filha do Esperidião Amin.

Ela levantou chorosa da mesa foi até o quarto, bateu a porta e jogou-se no colchão e de lá só saiu depois de uma hora por causa da insensibilidade de Nilson que pensava – “não bastasse a leucemia eu ainda teria que olhar a cara dela assim todos os dias? Ah, não há fé que aguente…”

Às vezes o politicamente correto é correto, mas não faz feliz.

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