ABRAÇOS GRÁTIS

Todos precisamos um dia de um abraço!!!

Todos precisamos de um abraço algum dia!!!

Num reino muito distante daqui, numa época já esquecida, um rei muito poderoso e respeitado vivia uma longínqua e abastada vida e, aos mandos e desmandos, comandava seu reino com autoridade e disciplina.

Seus súditos sempre o respeitavam e faziam tudo o que queria, o rei tinha de tudo, riqueza, poder e saúde.

Mas na vida nada dura para sempre e num dia qualquer o rei ao acordar se sentiu adoentado, uma forte dor nas costas, perto da cintura, não tinha posição, uma dor pontiaguda e certeira, aliás, ininterrupta.

O rei aos berros mandou chamar o curandeiro do reino que prontamente atendeu sua ordem.

O curandeiro olhou, examinou, passou uma espécie de chá ao rei que tomou até a última gota e limpou os restos de chá em sua ruiva barba com sua majestosa manga esquerda da camisa.

Olhou para o curandeiro e disse:

– Essa merda ainda dói, você é uma farsa! Chamem o mago, o caso é de magia!!!

Com o fracasso do melhor curandeiro do reino, veio até o rei o mago!

O mago encostou a mão no região dolorida, pensou, pensou…tirou um pó vermelho do bolso, esfregou em suas mãos e passou aonde o rei sentia dor, pediu ao monarca uns minutos de tolerância até a mágica ter efeito…passada quase meia-hora, o rei ainda gritava de dor.

– Mago de araque, chamem o Bispo, com certeza é algo do demônio!!!

E veio o Bispo. Sentou ao lado do rei e pediu a todos para darem as mãos e entoarem um cântico ao rei, com certeza Deus não iria deixar o rei sofrer, até porque o rei era quase uma divindade.

Rezaram por quase dez minutos, tempo necessário para o rei berrar:

– Para o inferno que esses cânticos, essa dor maldita não passa…quero me livrar disso, alguém por favor me ajude!!!

Nisso, uma serva que estava próxima ao rei lhe disse que conhecia uma pessoa que poderia ajudar…o ferreiro do reino.

– O ferreiro? Mas como tal homem sem conhecimento científico, religioso ou astral poderia me ajudar?

E a serva respondeu:

– Majestade, também não sei como, mas o ferreiro sempre ajuda os enfermos mais humildes e com êxito em quase todas as situações…e parece que ele cura só com um abraço.

– Com um abraço?

– Sim, Majestade, parece que ele possui algum poder e só um abraço ele cura as pessoas – asseverou a mulher.

– Tragam esse ferreiro, tragam logo!

Depois de algum tempo eis que chega o ferreiro, meio sem saber nada, mas estava lá…

– Dizem que você é uma espécie de curandeiro ou mago ou homem de Deus… – iniciou o papo o rei.

– Majestade, se eu assim o fosse, provavelmente estaria sentado em Vosso lugar ou próximo ao senhor, mas sou um humilde ferreiro do reino – respondeu o ferreiro.

– Então não tens o poder de curar os enfermos? – insistiu o rei.

– Não, não tenho – devolveu o ferreiro.

– Mas a serva a meu lado me garantiu que você cura as pessoas, que as abraça e as cura – questionou o rei.

– Majestade, desculpe, mas eu não curo ninguém, os enfermos que vão até mim não vão em busca da cura.

– Não? Então o que procuram? – indagou o monarca.

– Conforto!

– Conforto? Mas conforto eu tenho…tenho a melhor cama, o melhor trono, o melhor aposento, as melhores roupas, não preciso de conforto – insurgiu-se o rei.

– Talvez seja por isso mesmo, as pessoas que vão a meu encontro me pedem só uma coisa que posso oferecer que: um abraço. E não há como negar um abraço a quem está precisando, por isso me chamam de “O Ferreiro dos Abraços Grátis”.

– Mas então não cobras pela cura? – perguntou desorientado o rei.

– Claro que não, Majestade. Quando me procuram para serem confortadas, acabo também me confortando com elas, nos abraçamos pelo simples prazer de abraçar.

– Baboseira, aonde está a louca que me indicou este outro demente? Prendam-na por fazer troça do rei!!!

Quando se dirigiram para buscar a serva, o rei deu um grito de dor e caiu no chão!

Seus vassalos correram em direção a ele para ajudá-lo, mas a dor era imensa e ele se contorcia.

Os súditos gritavam por ajuda mas o rei, de súbito, com os olhos semi-cerrados pela dor, dirigiu sua visão ao ferreiro e suplicou:

– Não sei o que tenho, mas não aguento mais de dor, não consigo mais ficar em pé, se tu confortas os enfermos nos momentos de dor, que me auxilies e me ajudes, se eu tiver que morrer, que morra sendo confortado devidamente por ti, ferreiro, podes me dar um abraço?

– Majestade, claro que posso, desde que cheguei aqui estava disposto a isso.

Então o ferreiro se dirigiu ao caído rei e lhe puxou os braços até os ombros, ergueu-o com toda força que podia até colocar o rei de pé, que gemia e urrava de dor.

Quando então o ferreiro abraçou com carinho o rei e lhe disse:

– Que este abraço diminua seu sofrimento porque não se nega abraço a quem precisa de conforto.

Instantaneamente, as dores do rei desapareceram. Ele respirou forte como se desacreditasse e gritou:

– MILAAAAAGRE –  sim, ele gritou em CAPS LOCK!

O ferreiro estava indo embora, já de costas, quando o rei o chamou e perguntou ao ferreiro:

– Que milagre que fizeste que me curou?

– Majestade, não faço ideia do que tem ou tinha, eu não curo ninguém, só acredito que um abraço alivia qualquer dor, por isso dou abraços a todos aqueles que precisam de conforto porque nunca sabemos quando precisaremos de um.

– Ferreiro, mas não é justo, bote preço, isto é um dom!

– Majestade, injusto é cobrar por um abraço, só me permito abraços grátis, seja para um mendigo, seja para meu rei, a classe social é diferente, mas a dor é a mesma – “mitou” o ferreiro que foi embora sem qualquer recompensa material, mas recebeu eterna gratidão real que sempre o chamava para os momentos de dor e acabaram, por fim, se tornando amigos.

Sejam abraços, sejam sorrisos, sejam quaisquer manifestações de carinho não tem preço, em especial quando a pessoa precisa disso e hoje me dei conta disso, por vezes abraçar é muito mais fácil que compreender ou dizer algo…mas no fundo diz muita coisa!

Obrigado, amigos, por mais essa lição!!!

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