APENAS MAIS UM CONTO DE AMOR

Foi num carnaval, durante os festejos da festa pagã mais famosa eles se conheceram no Bloco do Dragão com a Toalha no Braço num lance de pura inocência…esbarraram-se por acaso durante as indas e vindas das pessoas, de pronto entreolharam-se:

– Desculpe, linda!

– Ah, nada…não foi nada…

– Se não foi nada esbarrarei de novo só pra te ver – gracejou.

Ela riu.

Ele se aproximou. Repousou sua mão sobre o rosto dela que sorriu e perguntou:

– Menino, você é do Rio?

– Não, por que?

– Porque o calor do seu corpo já me provocou arrepio.

Riram, sorriram, se beijaram.

Ela era de São Paulo, mas morava em Rondônia, ele era de Santos…e morava em Santos mesmo, ambos estavam lá para o carnaval, pra beijar na boca, mas encontraram um amor de carnaval.

Foi incrível, era como se de repente Olinda ficasse vazia e só os dois estivessem lá, sob a benção de Eros, encantados um com o outro!

Pararam por um segundo o beijo e ele lhe confidenciou:

– Quero descobrir só uma coisa nessa vida…

– Qual? – indagou ela.

– O segredo dos seus olhos, inacreditavelmente eles guardam algum mistério que não sei explicar, já me apaixonei por eles.

– Nossa!

– Que foi? Te ofendi?

– Não, não, esse é um dos meus filmes preferidos…

– Que filme?

– O segredo dos seus olhos…não viu?

– Não, não, ainda não…não quer me levar pra assistir com você?

Risos.

Passaram o carnaval juntos. Voltaram. Cada um pra sua cidade, mas não há distância quando há amor.

No fim de semana seguinte ao carnaval já se viram novamente, na casa dela, um encontro para celebrar o encontro inocente de carnaval, regados a vinho, ao som de Chico, “Futuros Amantes”:

“Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios no ar…”

Ouviam, achavam lindo, mas o sentimento estava mais para um olhar para o outro e desdizer tudo que a música dizia, queria um amor pra agora, na hora, imediatamente.

Braços e pernas, bocas e pele, tudo entrelaçado, de repente, a taça de vinho que estava sobre o braço do sofá voa por causa de um esbarrão dele, sujando de tinto a cortina da sala dela, da cor do vinho, da cor da paixão.

O fim de semana foi perfeito, despediram-se, prometeram não prometer nada um para o outro, não prometer futuro, não cobrar sobre o presente, desejaram que a semana passasse rápida, se desejaram ardentemente durante a semana…e a semana passou…mas o desejo deles não e passaram a se ver sempre, namoraram e, acreditem, até casaram!

Hoje ainda estão juntos, da mesma forma, se amando e desfrutando desse amor, e todo ano saem no Bloco do Dragão com a Toalha no Braço, só pra reviver o momento mais feliz de suas vidas!

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