“SE DUAS PESSOAS SE AMAM UMA À OUTRA, NÃO PODE HAVER FINAL FELIZ!”

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Hemingway e sua lógica sobre o amor.

Ela não era um sonho, era um romance escrito por Ernest Hemingway, desde que a conheceu ele quis desvendar seus detalhes mais secretos e se enveredar por suas curvas mais ousadas, ao obter seu celular, não lhe enviou um torpedo, foi um esquadrão de força tarefa americana em forma de WhatsApp:

” Ernest Hemingway dizia que ‘se duas pessoas se amam uma à outra, não pode haver final feliz’, mas podemos provar a ele que estava enganado”.

Ela achou ele meio exagerado e muito presunçoso para um primeiro bilhete, falar logo em amor? Quem era ele que nem a conhecia e vem logo falar de amor.

Ela não se impressionava facilmente, tinha que fazer muito mais, muito mais que uma frase solta ao vento para tentar lhe conquistar.

Mas o sujeito petulante insistiu e puxou conversa, no começo veio com um papo estranho, encheu o saco com piadas sem qualquer graça, extremamente enfadonho, mas ela pacientemente o ouviu.

Até que ele voltou a falar de literatura, depois de fotografia e finalmente chegaram à pintura e para surpresa dela, ele conhecia Frederic Bazille, seu pintor predileto e até mencionou sobre seu quadro preferido, Scène d´Été que nem era sua obra mais famosa.

Uma confissão curiosa, ele se interessou por Bazille após descobrir que nascera na mesma data que o pintor.

– E você, qual seu aniversário? – ele perguntou a ela:

– Vinte e um de julho, sou canceriana! – respondeu.

– Vinte e um, vinte e um de julho, tem alguém famoso que nasceu nessa data mas não me recordo – ficou pensativo.

De uma conversa tediosa a um bate-papo muito fluente, Angélica passou a curtir o cara, de outra monta, Fábio já tinha se encantado com a protagonista de suas idealizações de amor.

Marcaram de sair, beberam, comeram um rodízio japonês e se beijaram.

Uma nota à parte, para o subscritor o primeiro beijo é a manifestação mais sexual do amor, mais ainda que transar, e o primeiro beijo deles foi daqueles que senhoras beatas fingiam não querer ver, que pairava na tênue linha da concupiscência e uma erupção vulcânica e que enchia de água na boca das mais puritanas passantes que observavam e quase tropicavam (como diriam elas mesmas) com aquela cena tórrida de um beijo ardente.

Adoravam a companhia um do outro, se divertiam, tinham os mesmos gostos, eram companheiros, tinha tesão e eram independentes, parecia que Hemingway ia errar dessa vez.

Ele estava tão empolgado com seus sentimentos que um dia, após uma madrugada inteira de gemidos e frases sórdidas, sujas e íntimas, despertou, encostou seu peito junto à cabeça dela e proferiu, quase de forma romântica:

– Nos amamos pra caraleo, é muito bom ficar contigo.

– Peraí, Fábio – interrompeu o romantismo do parceiro – nunca te disse que te amo, adoro sua companhia, curto muito esses momentos juntos, mas amar, amar, eu não amo.

Silêncio.

Um grito de desespero por vezes demonstra menos dor que um silente segundo entre um casal, que, apesar de lacônico, expressa uma verdade absoluta que nem o advogado do mercador de Veneza conseguiria desconstruir.

Fábio desconversou.

Falou do tempo, de horóscopo, de “como os franceses ainda comem foie gras, né?” e até sobre uma postagem dela no facebook.

Não tocaram mais no assunto e pouco depois estavam naquele incessante vai-e-vem de seus corpos, murmurando palavras desconexas e desfrutando as entranhas mais recônditas de cada um.

No dia seguinte, Fábio suscitou deixar Angélica, não procurá-la, tentar esquecer, porque queria alguém que o amasse, que fosse inteira, que..

…mas lembrou dos tenros momentos a seu lados, das risadas, do prazer, da leveza da relação e da felicidade que ambos sentiam lado-a-lado.

Saiu de sua casa com esta dúvida, preferiu caminhar por quarenta minutos até o apartamento dela para refletir, eram duas posições que, se não antagônicas, podiam colidir algum dia.

Mas, também, amar não é garantia de longevidade de sentimento, quantos “amores” terminavam mais rápido e eram menos intensos?

Tocou a campainha e logo que viu Angélica, soube exatamente o que era melhor para eles e em seguida, sem pestanejar, falou:

– Ernest Hemingway!!! Você nasceu no mesmo dia que Hemingway, que coincidência! – e emendou – Sobrou vinho suficiente para noite de hoje?

– Sim, vinho sobrou, mas não sei se sobrou algo de você… – ela garbosamente respondeu.

Riram, se abraçaram, beijos e daí portas fechadas e censura.

Talvez Hemingway estivesse realmente certo, “se duas pessoas se amam uma à outra, não pode haver final feliz”, talvez esse fosse o caso deles, preferiram a felicidade de cada um ao invés do amor um do outro e, dizem os amigos, tiveram começo, meio e final feliz!

E de onde estava, Hemingway balançava a cabeça como se pensasse:

“Vai na minha que só se dá bem!”

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