A MENINA QUE ABRAÇA ÁRVORES

Estava conversando com uma amiga, tomando uma cerveja na mureta da Urca, quando ela veio a nosso encontro.

Conversávamos, filosófica e etilicamente, sobre o que fazer para ser feliz e quando a menina chegou a questionamos:

– E você, Paulinha, o que você faz pra encontrar a felicidade? – perguntou Luísa, minha amiga.
– Eu? Deixa eu pensar – e por uns quinze segundos levantou as sobrancelhas e olhares para o céu e ficou lá matutando e após sair desse “transe” respondeu:
– Ah, eu abraço árvores – falou de forma totalmente despojada mas assertiva.
– Como assim? – questionei – abraça árvores?
– Sim, sim, não preciso de muita coisa pra ser feliz e abraçar árvores é uma das que me deixa muito bem, sabe? O contato com a natureza e seu reconfortante silêncio, saber que tem uma vida lá que não nos exige nada, não é mágico?

Fiquei sem palavras, só concordei com um balançar de cabeça e um brilho no olhar.

Continuamos a conversa sobre outros diversos assuntos e cada vez mais eu me encantava com aquela pessoinha, tão simples mas tão cheia de histórias, parecia ter vivido umas cinco vidas dentro da mesma, tornava histórias banais em verdadeiros contos de fadas e nos fazia rir a cada “não lembro direito se foi assim porque minha memória está uma merda”.

Contagiou meu dia com sua energia e bom humor.

Depois de mais de horas de papo e cervejas, voltei pra casa ainda encantado com a tal de Paulinha, pensei em pedir seu whats app, seu face, mas achei melhor não…

Paulinha é daquelas pessoas que pertencem ao mundo, possui espírito livre e se ela quiser alguma coisa legal com alguém, fique certo que ela vai ao encontro sem nenhum preconceito de mostrar o que quer.

Cheguei em casa, meio cambaleante de tantas brejas, deitei-me no sofá e olhei minhas mensagens.

Uma menina que há tempos vinha conversando estava puxando papo mandara um “oie, tudo bem?!”

Não podia perder o embalo:

– Oi, Renata, como você está? Sabe, estava num papo filosófico com umas amigas…e queria saber sua opinião…o que você faz pra ser feliz?

Ela não demorou a responder:

– Ah, invisto na carreira porque quero trocar de apartamento, poupar pra previdência privada e, sei lá, fazer uma viagem nas férias. E você?

Coincidentemente “fiquei sem bateria”.

Não dá pra conversar com Renatas após conhecer uma Paulinha!

E adormeci mais triste que feliz pois para cada Paulinha, conhecia umas trezentas Renatas.

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