ACEITA QUE DÓI MENOS

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Imagem: galeria.colorir.com

Ela parou, olhou nos seus olhos e falou:

– Precisamos conversar.

Essa frase por si só já demonstra o descalabro que se encontra a relação e quando um dos dois diz que “precisa conversar” é porque o outro vai tomar um pé na bunda.

Eles já tinham conversado umas três vezes, ou seja, ele tomara três pés anteriores mas por algum motivo acabavam voltando.

Mas essa era a quarta vez e ela estava mais certa do que queria, ou pelo menos de quem não queria: ele!

Ele de pronto já disse:

– Não precisa de conversa, eu já sei.
– Mas eu queria esclarecer – rebateu ela.
– Não precisa, já sei, você não me ama e está certíssima, não deve ficar com quem não ama.
– Eu sei, eu tentei, não consigo.

Se abraçaram, choraram, lamentaram…se davam bem demais para não ficarem mais tempo, mas nem sempre o amor colabora.

Ela partiu. Foi embora. Mas dentro dele permaneceu a ilusão de que ela poderia voltar.

Ele tentava se desgarrar, conhecer outras pessoas, mas ao mesmo se sabotava e não levava à frente.

Se permitir gostar de alguém significaria esquecê-la e ele não queria isso.

Quem mais seria a companhia ideal para uma viagem? Quem mais seria sua consultora de filmes? Quem
mais ficaria fuçando bons restaurantes para ambos irem, quem gargalharia a seu lado com suas piadas horríveis?!

Ela não lhe dava esperanças, asseverava: “não quero mais”, porém, esse apego a esses momentos maravilhosos não o deixava prosseguir, ele se iludia sozinho porque era tonto.

Até que um dia se encontraram numa dessas festas de amigos, ela estava linda como sempre e acabaram batendo papo.

Estava tudo bem entre eles, mas ele se queixava que não conseguia gostar de alguém porque ainda a amava.

De forma assertiva, talvez até dura, ela vira e fala: “aceite que dói menos e você logo será feliz novamente”.

Ao fim da noite, envolto em seus travesseiros, ele só lembrava da frase.

Chorou, chorou por três noites seguidas mas viu que ela estava certa, ele não aceitara o fim.

Na manhã seguinte à terceira noite de lágrimas, ele levantou da cama, escovou os dentes, olhou para o espelho, suspirou fundo e saiu de casa, saiu decidido que só iria chorar novamente por um outro amor e não mais por ela.

Dela guardaria só carinho, amizade e consideração que ela também demonstrava, mas não podia ficar ali empacando sua própria vida por causa dele mesmo.

A vida é sempre clara em seus sinais, mas nem sempre nos permitimos aceitar as perdas; talvez porque seja menos doloroso viver numa ilusão, não sei, mas talvez porque não percebemos que uma ilusão não nos deixa viver e isso ele demorou a aprender.

Depois desse dia, poucas semanas depois estava saindo com uma menina incrível por quem se apaixonou e se perguntava – “por que não me permiti antes?!”

E ficou feliz ao saber que a ex também estava com alguém…

O amor muitas vezes nos mostra sua finitude, mas de forma contumaz preferimos prolongar o sofrimento apenas por conta de nossa vaidade, sem perceber que estamos fazendo mal a nós mesmos.

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