QUANDO ESTAMOS EM TEMPOS DIFERENTES

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Imagem: canstockphoto.com.br

Estavam no tempo errado entre si e hoje admitem.

Conheceram-se durante uma viagem. Ela com um grupo grande de amigos. Ele viajando sozinho.

Como estava sozinho teve que se unir ao grupo dela quando contratou um guia para o passeio no parque estadual Terra Ronca, em Goiás, para conhecer as inúmeras cavernas da região.

Desde o “oi” rolou uma empatia entre eles e ficaram conversando durante o passeio, até que em certo momento naturalmente seus passos ficaram mais lentos e se dispersaram do grupo sem perceber.

Quando se deram conta estavam num breu quase total, só restando as parcas luzes de seus capacetes.

– Nos perdemos – ela comentou.
– Eu não acho – ele respondeu.
– Como assim, não estamos vendo eles e…
– Calma, não foi nesse sentido que eu falei, na verdade, acho que só agora me encontrei…

Ela entendera. Com o canto da boca abriu um sorriso, ainda que ele não tenha conseguido ver direito.

Ele se aproximou e se beijaram e naquele ambiente claustrofóbico, ambos sentiram uma libertação como se abrissem seus sentimentos um ao outro.

Era Valentine’s Day.

A partir dali, a viagem passou a ser dividida pelos encantos de estar ao lado de uma companhia perfeita, o sorriso vinha mais fácil e a alegria consumia todos os minutos do dia.

Fim da viagem, inicio da relação.

Ela morava em Niterói e ele no Rio, se viam bastante, ele queria vê-la a todo momento. Ela também queria.

Envolveram-se.

O problema é que ela não estava preparada para se envolver naquele momento.

O problema é que ele estava entusiasmado de se envolver naquele momento.

Para ela era tudo muito bom, mas intenso de forma exagerada, ao menos naquele momento.

Para ele não era admissível que ela estivesse arrefecendo o sentimento dele.

– Não dá mais – disse ela à uma amiga.
– Mas você gosta dele – devolveu a amiga.
– Não sei, não senti aquela coisa, sabe? Não sei se gosto mesmo ou só da companhia.
– E o que vai fazer?
– Vou deixá-lo seguir porque não é justo estar numa relação sem amar o outro, nem comigo e nem com ele.

Terminaram.

A menos de um mês do Dia dos Namorados.

Não se viram, não se falaram, apenas a dor da perda e da separação os unia.

Ela adorava ele, ela sabia, mas não conseguia amá-lo, não naquele momento.

Ele amava demais ela, mas não conseguia segurar a intensidade que o movia para casa mensagem que mandava pra saber como ela estava.

Pouco depois, encontraram-se justamente no Dia dos Namorados no Palaphita’s, às margens da Lagoa.

Ela acompanhada. E apresentou:

– Esse é Celso, meu namorado.

E ele também apresentou:

– Essa é Bárbara, minha namorada.

Os amigos em comum sabiam, nem ela gostava tanto de Celso quanto gostava Dele e muito menos ele gostava de Bárbara quanto gostava Dela, mas ambos conseguiram levar essas relações a um namoro.

Às vezes amar demais assusta. Às vezes a incerteza do amor magoa. Mas que seria tão mais fácil se as pessoas não se preocupassem com isso e deixassem o sentimento se equilibrar entre eles, isso seria.

Dizem que hoje em dia, nem Celso, nem Barbara, nem Ele e nem Ela, parece que o tempo esfriou tudo e aquele sentimento lindo se dissipou, mas ele lamenta até hoje: “se estivessem no mesmo timing, nada ia nos separar”.

Às vezes o amor é assim, certeiro como uma flecha, mas desalinhado como os ponteiros de um relógio.

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