DIÁLOGO ENTRE O URSO POLAR E O PINGUIM

piada38

Esse é um debate antigo, podia ser entre eu e você que está lendo, mas não, é entre o urso polar e o pinguim. Ambos solteiros, só que um prefere viver sozinho e o outro prefere encontrar um parceiro para conviver.

O urso polar estava caminhando a passos lentos pelas geleiras do Ártico quando se deparou com o seu amigo Anselmo, o pinguim, e ao vê-lo meio cabisbaixo, triste, o cumprimentou dizendo:

– O que aconteceu que está assim todo sorumbático (o urso polar gostava de usar palavras não usuais), Anselmo?

– “Sorum” o quê? – indagou o pinguim.

– Sorumbático, triste, amargurado… – explicou o urso polar.

– Ah, Gabriel – esse era o nome do urso -, sabe como é, to tentando encontrar uma parceira para procriar, ficar de boa, estou cansado de nadar entre várias fêmeas e não encontrar alguma que me complete, que queira conviver, dividir os momentos bons e tal…

– Você só pode brincando, né, Anselmo?! Ser solteiro não é estar infeliz, você tem que estar bem consigo mesmo ao invés de lamentar não estar namorando. E não digo que solteirice é sinônimo de concupiscência de pinguins, mas sim de autonomia, liberdade e paz. Quantas relações você conhece que são sem confronto?

– Sei lá, eu gosto de estar com alguém, me sinto bem com isso, ter uma companhia, alguém pra ficar de bobeira, ter com quem manter cumplicidade, fazer planos em comum, acho gostoso.

– Você não pode pensar nessa ideia de alguém te completar, você tem que estar inteiro e se aparecer alguém na sua vida, tem que somar e não depender de um sentimento pra te preencher. Desde quando namorar alguém é a panaceia de suas mazelas?

– Mas eu sei disso, penso diferente, não falo em “metade da laranja”, mas sim em convivência. E quanto à paz, não acho que uma relação resista a conflitos, mas nunca entro numa namoro pensando: – “vai dar merda” -, sempre sinto que vai ser bom e sigo esse instinto.

– Nunca é, sempre há desavenças.

– Sim, sim, porém, os momentos de carinho e amor compensam as discussões até o limite do razoável.

– Mas quando separar você vai sofrer.

– Concordo, mas eu sofro sozinho por um monte de outras coisas, como frio, fome, ter que voar pra caraleo para um lugar menos inóspito…

– Olha, não sei, acho que você deposita suas energias demais em outra pessoa, talvez seja insegurança ou imaturidade.

– Ah, sei lá, podem falar que tenho síndrome de Peter Pan ou que sou sonhador, mas se acostumar-se em ficar sozinho é sinal de maturidade, então prefiro parecer criança mas sempre com essa vontade de estar com alguém pra compartilhar minha vida.

– Não acho que seja necessário depender de alguém pra ser feliz, veja eu.

– Sim, vejo, você vive bem, não se sente solitário, já eu sou assim, gosto de ter alguém pra cuidar, desfrutar e amar.

– Te respeito, mas creio que deveria repensar em sua maneira de sentir, não entendo essa sua necessidade de ter alguém…

– Eu também não compreendo como consegue ficar de boa, curtindo ficar sozinho.

– Sou um urso polar, não um panda, se não percebeu até agora! Sei me virar bem sozinho, sou independente e me dedico muito a meu bem estar. Bom, só não quero te ver com essa cara de  tonto, triste pelos cantos.

– Nem eu quero, mas sei que logo passa, logo tudo se ajeita.

E o urso polar foi para um lado curtir seu jeitão solitário, e o pinguim para o outro, esperando encontrar um novo amor, enquanto a vida lhes proporcionava sensações diferentes, de acordo com o que cada um se permitia experimentar.

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