FELICIDADE?

psicoterapia1

IMAGEM: psicologasonia.com.br

Outro dia estava num consultório numa tediosa sala de espera e já se passavam quase duas horas para consulta – obrigado, Brasil – quando passei a prestar atenção na conversa de mulheres que aparentemente se conheciam.

 

Uma falava: – “Amiga, como você não conhece Nova York?! Nova York e Paris são dois lugares que toda pessoa deve conhecer antes de morrer!”

E a “amiga” respondeu: “ah, NYC (assim mesmo, apesar de não ter ido à cidade,era mais íntima que Woody Allen) está nos planos sim, mas por enquanto tenho que cuidar da minha carreira, sabe? É o momento para decolar na vida!”

Papo vai, papo vem…”o Jorge comprou um carro novo, nós trocamos a cada dois anos porque, sabe como é, carro velho dá problema. Ele ficou louco de alegria porque conseguiu comprar o carro que queria!”

A outra: “ah, o Matheus não é chegado tanto a carro, o negócio dele é ficar em casa vendo sua TV de 50, com sua cervejinha importada, isso que o deixa feliz!”

Entrei na sala da minha consulta, era com a minha psicóloga, cabisbaixo sentei na poltrona e começamos a conversar.

Certa momento ela pergunta:

– “Você parece meio triste, o que foi?”

Respondi:

– “Ah, estava lá fora e vi que sou duro demais, meu carro é mais velho que programação de sábado à noite da Globo, o lugar mais distante que consigo viajar é da minha sala para meu quarto, minha carreira caminha mais lenta tartaruga manca com preguiça e tenho mais vergonha do meu salário do que andar nu por Copacabana”

E ela:

– “E o que tem isso?”

– “Ué, assim nunca serei feliz, oras!” – asseverei ainda triste.

– “Sério, você realmente pensa isso? E você acha que elas estão super felizes? Elas têm tantas dúvidas quanto você, choram tanto quanto você, só que têm mais dinheiro que você, mas isso não significa que estejam felizes.”

Não tinha parado para pensar nisso. Talvez se estivessem felizes não precisassem “disputar” os êxitos entre elas.

Daí a psicóloga continuou:

– “A felicidade não tem que ser medida pela quantidade de coisas que você compra ou pelo número de países que visitou ou muito menos pelas conquistas na sua carreira; sua felicidade tem que se basear pelo número de pessoas que você fez sorrir e pelas que fará na sua vida, o resto, bom, o resto é só uma forma de aliviar o estresse, mas não te faz feliz!”

Após mais um tempo de consulta, saí pensativo. Quanta energia desperdiçada por colocar certas coisas como meta e não como consequência de vida.

Percebi que muitas das minhas frustrações eram por questões puramente material que não me fariam feliz, mas só me trariam um prazer efêmero, quando na verdade deveria me focar em compartilhar mais momentos com pessoas que eu gostava.

Dei mais uns passos, parei em frente a uma loja de celulares, vi um daqueles última geração, lindo, super moderno, visual estiloso.

Não resisti, entrei, comprei, parcelei, me endividei.

Não saí feliz pelo celular, mas dizem por aí que não somos 24hs do dia felizes, então, me proporcionei uma dose de euforia.

Infeliz talvez, mas de celular novo!

Mas a vida é desse jeito mesmo, mentimos para nós mesmos que buscamos a felicidade, mas no fundo procuramos apenas saciar nossas vontades e desejos ainda que não saibamos como! E tem sido assim…e tem sido triste!

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