CERVEJA ARTESANAL

cervejas

imagem: aguiabuenosaires.com

Alisson entra no bar e a vê sozinha, sentada junto ao balcão, tomando uma bebida avermelhada, ele decide puxar um papo.

– Sex on the beach? – ele pergunta.

– Olha, querido, to numa fase tão ruim que eu peço sex on the beach para o garçom e o cara me traz metropolitan, tá difícil conseguir sexo até no bar.

Ele riu. Ela ficou séria.

– Mas o que pegou? Está esperando alguém? Qual seu nome?

– Meu, já estou com a cabeça cheia e você vem com questionário, é um quiz?

Ele riu. Ela ficou séria…de novo.

Mas respondeu:

– Sou Célia, estava com um babaca aqui no bar, maldita hora. Despachei o filha-da-puta.

– Vish! Mas o que aconteceu? – insistiu Alisson.

– Ah, o cara me convida para vir num bar, não faz reserva e a gente fica meia hora esperando, depois na hora de pedir a bebida pergunta ao garçom – “qual a cerveja mais barata de vocês?” -, e ainda tem a desfaçatez de pedir a porra da cerveja da promoção.

Depois pergunta se eu quero comer algo e quando eu vou abrir o cardápio, ele grita para o garçom – “meia porção de batatas, por favor!”.
– Às vezes o cara estava duro… – tentou defender o rapaz.

– Devia estar mesmo porque ao final ainda me fez dividir a conta! Pô, ele podia pedir a cerveja mais barata, poderia pedir uma porção de batatas e poderíamos dividir a conta numa boa, mas há muitas formas de fazer isso. Do jeito que foi me desvalorizou, não deu importância, sabe?

– Claro, claro! Aliás, como fez para despachar?

– Ah, o mané insinuou para sairmos daqui e transarmos no carro, puta merda, né? Se acontecesse, deixasse rolar, ótimo! Mas parece que sou o quê? – reclamou Célia  – Mandei ele ir embora e nunca mais me procurar, escroto!

Após um pequeno silêncio entre os dois, já mais calma, indagou:

– E você, como se chama?

– Alisson!

– E faz o que da vida, Alisson?

– Ah, faço cerveja para vender, cerveja artesanal. Está no começo mas está indo bem.

– Jura? Ai que legal! Pensei que ia dizer que era um babaca de um advogado!

Ele olhou com uma cara de interrogação e ela esclareceu:

– Esse cara da história era advogado.

Riram.

– Pelo menos eu nunca faria você beber da mais barata, eu só curto cerveja boa.

– Só quero ver, na próxima vez a gente vê – respondeu ela sem perceber que já falara em segundo encontro.

– E você, o que faz da vida?

– Ah, sou jornalista, mas parei…dou palestras.

– Que massa, sobre o quê?

– Aparentemente como se foder em relacionamentos, mas na verdade é sobre ansiedade.

Gargalharam.

– Nossa, e você estudou psicologia?

– Não, não eu sofro de distúrbio de ansiedade mesmo e tento conviver com isso e identifiquei que muita gente precisa saber que tantas outras passam pelo mesmo que eu e decidi compartilhar tanto minhas amarguras quanto meus êxitos.

– Sensacional! Eu aparentemente também sofro de ansiedade.

– Jura? Ah, então vá para uma palestra minha, vai gostar. E você já descobriu o que te atormenta.

– Já, já sim.

Pausa. E ela já ansiosa e apreensiva com o suspense pergunta:

– Mas e aí, sofre ansiedade com o quê?

– De ansiedade de beijar a sua boca!

Beijaram-se. E se amaram desde o primeiro beijo!

Célia nunca mais precisou beber cerveja em promoção, em qualquer bar ou restaurante que frequentavam só bebiam cervejas artesanais porque assim era o amor deles, nada de sentimento em escala industrial, mas sim algo construído a duas mãos, entrelaçadas, quase amarradas, artesanalmente, como deve ser entre quem se ama.

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