O AMOR NÃO HESITA

 

casal-louco

imagem: maniadecasal.com.br

Dia desses estava conversando com uma colega que não via a uns meses quando ela comenta:

– Ah, mas o Dagoberto, meu namorado…

Quando eu a questionei:

– Está namorando? Que legal, não sabia!

E daí o assunto passou a ser esse, ela realmente estava muito empolgada com a relação explicou:

– Eu estava encalacrada com um encosto numa relação, tivemos um término péssimo, fiquei uns três anos solteira e parecia que havia perdido a capacidade de amar após aquele desastre que chamei de namoro. Só que do nada conheci o Dagô, num stand de turismo. Trocamos whats, conversamos, saímos e após uma semana juntos ele me apresentou como namorada para uns amigos. Fiquei super feliz porque, mesmo sem que tivéssemos conversado, parecia que ele percebera que eu também queria namorar com ele. E você não vai acreditar, com um mês já estávamos morando juntos!

– Mas não acharam precipitado morar juntos? – ponderei.

– Pior que não, era o que queríamos, e tem sido maravilhoso. Tomamos a decisão certa, pois quem ama tem convicção! – asseverou.

Ela estava certa, pra quem não está apaixonado franquear sua intimidade para alguém num prazo exíguo parece um ato insano, impensado.

Mas ninguém pode ser reprimido por um momento de insensatez quando se está apaixonado, os amigos só têm autorização de intervir após cinco situações de “flagrante demonstração de falta de amor próprio perante a sociedade”, senão, quem pode julgar que as decisões de um casal apaixonado estão equivocadas?

Talvez porque o amor seja o único sentimento que não respeita os limites da razão, ele os ignora, ele diz quem é que manda e te leva a tomar atitudes que em sã consciência não faria de forma alguma ou já até tenha reprovado algum amigo que fizera o mesmo  num pretérito não muito distante.

Quem não sente falta de realizar umas loucuras de amor? Quem não sente falta daquela certeza absoluta de que conheceu o amor da sua vida, mesmo que saibamos que pode durar apenas uma temporada de Game of Thrones?

Aliás, cabe lembrar um trecho de Chão de Giz, de Zé Ramalho, que traduz realmente que amor e insanidade caminham bem próximos:

– “…queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de vênus…”

Revivi meus amores passados e concordei com a minha amiga pois quando me apaixonei por alguém pressenti desde o início de que iria dar em algo; não tem jeito, a gente sabe, a gente sente!

Mas tem que ser assim mesmo, pois o amor não combina com advérbio de dúvida, não conhece o talvez, não hesita, pois quando duas pessoas se amam, não há lucidez que as separe, e pior, elas podem estar completamente certas, ainda que nos pareçam insensatas.

 Fiquei pensativo, eu não só a entendia, como também me deu um alívio, solteiro há um tempo, tenho desconfiado da pontaria do meu cupido, passei a achar que a culpa era minha de não me apaixonar, mas ela tinha razão, quando é “A” pessoa, não tem jeito, o cupido pode ser cego que vai acertar o alvo a milhas de distância.

Depois de algumas cervejas com minha colega, fui embora mais leve, agora ia desfrutar ainda mais minha solteirice e esperar alguém por quem eu cometa muitas loucuras de amor, convicto de que são atitudes completamente normais.

 

 

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