“NUM MUNDO LOUCO, SÓ OS LOUCOS SÃO SÃOS”

dancando-na-chuva

Imagem: crimeseursinhos.blogspot

A frase do título é do cineasta japonês Akira Kurosawa e retrata bem o que acontece hoje em dia em nosso planeta.

Que o mundo parece estar pirando, todo mundo já sabe. Dá  a impressão que todos estão infelizes, intolerantes, insatisfeitos com a própria vida.

Está cada vez mais difícil entender a sociedade, juro, é um exercício hercúleo para mim.

Antes escravidão era escravidão, estupro era estupro, preconceito racial era preconceito racial e opção sexual era opção sexual, mas ao que parece, as coisas têm mudado.

Hoje em dia tudo se relativiza dependendo do ponto de vista que quem analisa os fatos, é um tal de querer que respeitam a própria opinião sem respeitar a alheia que a gente fica até meio descrente na humanidade.

É certo que moral é algo subjetivo, que cada indivíduo forma de acordo com o meio que convive, as experiências que passou e seu aprendizado na vida, mas não dá para fugir do razoável, do que é comum a todos.

Por exemplo, protestar contra grandes confecções de  roupas que são acusadas de utilizar mão-de-obra escrava, pode; mas contra pequenas lojas que mantém bolivianos e peruanos trancafiados em galpões trabalhando em regime similar ao de escravidão, não pode; porque o preço barato destas justifica o silêncio.

Hitler cometeu inúmeros atos de barbárie, alcançando níveis de crueldade e desumanidade até então desconhecidos, e por anos era repugnante alguém pensar que  ele tinha alguma gota de razão naquele oceano de atrocidades; atualmente, cada vez mais se vê uma onda de insatisfação contra desabrigados, refugiados, abandonados e o pensamento parece ser: “prefiro que morram em seus países ou cruzando o mar a usarem a saúde pública ou programas assistenciais do meu país com o dinheiro dos meus impostos”, triste!

Até bem pouco tempo atrás, estupro era estupro e pronto! Hoje em dia não, só é estupro se a mulher estiver vestida de conjunto de moletom cinza, daqueles com capuz e a estampa do Mickey Mouse, sem esquecer dos óculos escuros, sem nenhum batom e com cara de quem acabou de engolir uma fatia de limão temperada no wasabi, senão, ela que terá margem ao homem de suspeitar que ela queria sexo à força! Um absurdo!

E a opção sexual? Se você se posiciona que é heterossexual, um monte de gente diz que é homofobia; e se você se declara homossexual, daí, meu filho, sai de baixo porque haverá uma galera querendo lhe matar na base da porrada só porque é gay!

Pior é que tudo isso vem passando por nossos olhos e não tomamos nenhuma atitude, parece que a sociedade caminha para um desfiladeiro onde irão se digladiar (pode procurar no google que está certo,  “degladiar” está errado) uns com os outros até o último sobrevivente nessa sangrenta batalha de ofensas restar e gritar aos céus: “NÃO VAI TER GOLPE” ou “FORA, PT” (assim o subscritor agrada a todos).

Pessoas que se dizem conscientes, livres e de bons costumes, razoáveis, têm tratado certas diferenças com uma intolerância sem tamanho, tornando uma simples discórdia numa discussão recheada de ódio.

De outra parte, confesso que ainda há muita gente legal, muita gente que admiro, mas nem sempre são bem compreendidas: gente que só usa roupa que lhes presenteiam para não consumir o desnecessário; gente que produz seus próprios produtos de higiene para não poluir mais o planeta; gente que se baseia em economia de reuso ou solidária; gente que prefere fomentar a economia de pequenos vilarejos quando viaja; gente que ensina profissão a desempregados ou refugiados; gente que ajuda a construir casas para pessoas desabrigadas; gente que escala montanhas para reunir fundos a pessoas vítimas de terremotos; gente que adota cães, gatos e até crianças – ACREDITEM! -; gente que conta histórias para crianças em hospitais; gente que vai até abrigos para conversar com idosos abandonados e até gente que faz a gente sorrir nos momentos mais tristes da nossa vida apenas com um abraço; entre tantas outras!

Obviamente, são loucos, só podem!

Eles são escassos, admito, e preferem caminhar pela penumbra do anonimato a terem os holofotes da fama!

Por isso, tenho que concordar com Kurosawa, quanto mais as pessoas normais tornam o mundo insano, mais se deve buscar o equilíbrio dentre aqueles reputados como doidos, pois “num mundo louco, só os loucos são sãos”!

 

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