“VIAJO PORQUE PRECISO, VOLTO PORQUE TE AMO!”

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Imagem: propagando do filme do título.

A crônica não tem nada a ver com o belo filme brasileiro, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, mas seu título cabe tão bem quanto uma poesia a um casal de namorados.

Depois do nascimento do meu filho, admito que fiquei muito mais sentimentalista quando viajo. Parece que ao ouvir  “portas em automático”, é como se uma navalha de saudade cortasse meu peito em dois, dividindo em vontade de seguir versus intenção de levantar do avião e voltar pra casa.

Só quem tem a incessante vontade de conhecer o mundo sabe que viajar é muito mais que é um mero prazer e só quem nutre um amor incondicional sabe como é a dor da saudade de partir e ficar longe da pessoa que se ama.

Quantas vezes parti com o coração partido? Quantas vezes segui por destinos longínquos enquanto queria estar mais próximo de meu filho? Quantas vezes me vi chorando de saudade mesmo estando desfrutando uma viagem incrível?

Muitas!

Para alguns a solução é fácil, “viaje só com seu filho”, dirão, mas nem todas viagens que faço são possíveis ou adequadas a  meu filho.

“Não viaje”, recomendarão outros, sem saber que para que, para algumas pessoas, viajar é um desejo indomável de partir, de desvendar novas culturas, de desbravar destinos alucinantes, de conhecer novas pessoas, ou a si mesmo, e ainda que deixemos para trás as pessoas que amamos, preferimos enfrentar a saudade a suportar a inércia e a rotina em nossas vidas!

É uma dicotomia que não tem lógica, óbvio que amo meu filho muito mais do que viajar, mas é uma vontade inexplicável que não consigo segurar e que me coloca no rumo do desconhecido, na estrada da descoberta e talvez seja esse o ingrediente que dá gosto especial ao viajante: viver em contato com o inesperado!

Muitas pessoas nos criticam, muitos nos condenam, mas não entendem que quem é louco por viagens deposita muito mais que dinheiro, deposita sentimento e emoção nas trips, se entrega e vive cada momento como se fosse um cósmico encontro que trará mudanças em sua vida, na dos outros, no Planeta!

Por isso, filho, essa crônica é mais um pedido de desculpas pelo tempo de deixo de estar a seu lado do que uma exaltação à cultura de viajar, e por isso mesmo, o título do filme de Marcelo e Karim é perfeito para o momento, praticamente são as palavras acabo usando ao me despedir de você, “viajo porque preciso, volto porque te amo”, pois se assim não fosse, talvez estivesse perambulando por mais tempo pelo imprevisíveis caminhos de quem parte rumo ao incerto!

Espero que um dia me entenda e que um dia estejamos juntos numa dessas jornadas!

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